{"id":206302,"date":"2026-10-30T14:12:43","date_gmt":"2026-10-30T12:12:43","guid":{"rendered":"https:\/\/factorial.com\/blog\/?p=206302"},"modified":"2026-10-30T14:12:43","modified_gmt":"2026-10-30T12:12:43","slug":"nis2-e-a-direcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/factorial.com\/blog\/pt-pt\/nis2-e-a-direcao\/","title":{"rendered":"NIS2 e a dire\u00e7\u00e3o: que responsabilidades assume"},"content":{"rendered":"<p>Durante anos, a ciberseguran\u00e7a foi um assunto do departamento de IT. Com a NIS2 isso muda, porque a diretiva europeia aponta diretamente para os \u00f3rg\u00e3os de gest\u00e3o das empresas abrangidas e atribui-lhes a tarefa de aprovar as medidas de ciberseguran\u00e7a, supervisionar a sua aplica\u00e7\u00e3o e ter forma\u00e7\u00e3o suficiente para perceber o que assinam.<\/p>\n<p>Neste artigo vais ver <strong>que obriga\u00e7\u00f5es tem a dire\u00e7\u00e3o com a NIS2,<\/strong> o que pode delegar na equipa de IT, que risco pessoal corre se a empresa n\u00e3o cumprir e o que diz a lei portuguesa sobre o tema.<\/p>\n<h2>O que exige a NIS2 \u00e0 dire\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n<p>As obriga\u00e7\u00f5es da dire\u00e7\u00e3o est\u00e3o previstas no artigo 20.\u00ba da <a href=\"https:\/\/factorialhr.pt\/blog\/nis2-portugal\/\">diretiva NIS2<\/a>, dedicado \u00e0 governa\u00e7\u00e3o, e foram transpostas para Portugal pelo Decreto-Lei n.\u00ba 125\/2025. Resumem-se a quatro deveres que recaem sobre os \u00f3rg\u00e3os de gest\u00e3o e que n\u00e3o podem passar para o respons\u00e1vel de IT.<\/p>\n<h3>Aprovar as medidas de gest\u00e3o de riscos<\/h3>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o tem de aprovar as medidas de ciberseguran\u00e7a que a empresa adota para cumprir o artigo 21.\u00ba da diretiva. <strong>Esse artigo fixa um m\u00ednimo comum<\/strong> que inclui, entre outros, os seguintes pontos.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>An\u00e1lise de riscos e pol\u00edticas de seguran\u00e7a:<\/strong> identificar o que pode correr mal e definir por escrito como \u00e9 que a empresa se protege.<\/li>\n<li><strong>Gest\u00e3o de incidentes:<\/strong> saber detetar um ciberataque, responder-lhe e notific\u00e1-lo quando acontece.<\/li>\n<li><strong>Continuidade do neg\u00f3cio e gest\u00e3o de crises:<\/strong> ter c\u00f3pias de seguran\u00e7a e um plano para continuar a trabalhar se algum sistema for abaixo.<\/li>\n<li><strong>Seguran\u00e7a da cadeia de abastecimento:<\/strong> confirmar que os fornecedores tamb\u00e9m protegem os dados e os sistemas a que t\u00eam acesso.<\/li>\n<li><strong>Ciber-higiene e forma\u00e7\u00e3o:<\/strong> boas pr\u00e1ticas b\u00e1sicas, como atualizar os equipamentos ou reconhecer um phishing, e forma\u00e7\u00e3o da equipa nessas pr\u00e1ticas.<\/li>\n<li><strong>Criptografia e encripta\u00e7\u00e3o:<\/strong> encriptar a informa\u00e7\u00e3o para que ningu\u00e9m a consiga ler se se perder ou for roubada.<\/li>\n<li><strong>Controlo de acessos e gest\u00e3o de ativos:<\/strong> saber que dispositivos e ferramentas a empresa tem e quem pode usar cada um.<\/li>\n<li><strong>Autentica\u00e7\u00e3o multifator e comunica\u00e7\u00f5es seguras:<\/strong> pedir mais do que uma palavra-passe para entrar e usar canais protegidos para comunicar.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Em Portugal, o Decreto-Lei n.\u00ba 125\/2025 concretiza estas medidas no seu Anexo III e organiza-as em tr\u00eas n\u00edveis de exig\u00eancia, consoante o perfil de risco e a criticidade de cada entidade.<\/p>\n<p>Aprovar significa conhecer estas medidas e valid\u00e1-las de forma expl\u00edcita, com uma decis\u00e3o que fique registada. <strong>Assinar um documento sem o ler n\u00e3o chega<\/strong>. Se quiseres rever todos os requisitos com detalhe, tens uma <a href=\"https:\/\/factorialhr.pt\/blog\/checklist-nis2\/\">checklist da NIS2<\/a> que os re\u00fane ponto por ponto.<\/p>\n<h3>Supervisionar a aplica\u00e7\u00e3o das medidas<\/h3>\n<p>Aprovar as medidas \u00e9 apenas o primeiro passo. <strong>A NIS2 pede tamb\u00e9m \u00e0 dire\u00e7\u00e3o que confirme que essas medidas s\u00e3o mesmo aplicadas<\/strong> no dia a dia.<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o obriga os administradores a entrar no detalhe t\u00e9cnico. O que se espera \u00e9 que recebam informa\u00e7\u00e3o sobre o estado da seguran\u00e7a com alguma regularidade, que fa\u00e7am perguntas quando algo n\u00e3o bate certo e que acompanhem as falhas detetadas at\u00e9 estarem corrigidas. Se a equipa de IT avisar que um ter\u00e7o dos port\u00e1teis n\u00e3o est\u00e1 encriptado, a dire\u00e7\u00e3o tem de saber e decidir o que fazer.<\/p>\n<h3>Responder pelos incumprimentos<\/h3>\n<p>A diretiva determina que <strong>os \u00f3rg\u00e3os de gest\u00e3o possam ser responsabilizados quando a entidade n\u00e3o cumpre as obriga\u00e7\u00f5es do artigo 21.\u00ba<\/strong>. \u00c9 a parte que mais preocupa os gestores, porque abre a porta \u00e0 responsabilidade pessoal. Tens o detalhe mais abaixo, na sec\u00e7\u00e3o sobre responsabilidade pessoal.<\/p>\n<h3>Ter forma\u00e7\u00e3o em ciberseguran\u00e7a<\/h3>\n<p>O artigo 20.\u00ba, n.\u00ba 2, obriga os membros dos \u00f3rg\u00e3os de gest\u00e3o a <strong>frequentar forma\u00e7\u00e3o em ciberseguran\u00e7a<\/strong>. O objetivo \u00e9 que tenham conhecimentos suficientes para identificar os riscos, avaliar as pr\u00e1ticas de gest\u00e3o de riscos e perceber o impacto que t\u00eam nos servi\u00e7os da empresa.<\/p>\n<p>A diretiva n\u00e3o exige um curso certificado nem fixa um n\u00famero de horas. O importante \u00e9 que a forma\u00e7\u00e3o exista, que se repita com alguma regularidade e que fique registada. Al\u00e9m disso, incentiva as empresas a dar uma forma\u00e7\u00e3o semelhante ao resto da equipa de forma peri\u00f3dica.<\/p>\n<h2>A que gestores se aplica?<\/h2>\n<p>Estas obriga\u00e7\u00f5es aplicam-se apenas \u00e0 dire\u00e7\u00e3o das empresas abrangidas pela NIS2. Em regra, s\u00e3o <strong>m\u00e9dias e grandes empresas dos setores inclu\u00eddos nos anexos I e II da diretiva<\/strong>, embora algumas entidades fiquem abrangidas independentemente da sua dimens\u00e3o.<\/p>\n<p>Se tiveres d\u00favidas sobre o teu caso, podes consultar o artigo sobre <a href=\"https:\/\/factorialhr.pt\/blog\/a-quem-afeta-nis2\/\">a quem se aplica a diretiva NIS2 em Portugal<\/a>.<\/p>\n<h3>Quem faz parte dos \u00f3rg\u00e3os de gest\u00e3o<\/h3>\n<p>A diretiva fala de \u00f3rg\u00e3os de gest\u00e3o sem entrar em cada tipo de sociedade. O Decreto-Lei n.\u00ba 125\/2025 refere-se aos <strong>\u00f3rg\u00e3os de gest\u00e3o, dire\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o<\/strong>, ou seja, aos \u00f3rg\u00e3os que t\u00eam poderes de gest\u00e3o estrat\u00e9gica e de representa\u00e7\u00e3o da empresa.<\/p>\n<p>Numa sociedade an\u00f3nima, isso costuma corresponder ao <strong>conselho de administra\u00e7\u00e3o<\/strong> ou ao <strong>administrador \u00fanico<\/strong>. Numa sociedade por quotas, corresponde \u00e0 <strong>ger\u00eancia<\/strong>, isto \u00e9, aos gerentes que a representam.<\/p>\n<p>Para efeitos de san\u00e7\u00f5es, a diretiva menciona tamb\u00e9m as <strong>pessoas singulares com fun\u00e7\u00f5es de dire\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel de diretor-geral ou de representante legal<\/strong>. Por isso, o CEO e os quadros de gest\u00e3o de topo com poderes executivos tamb\u00e9m se devem sentir visados.<\/p>\n<h3>Entidades essenciais e importantes<\/h3>\n<p>A NIS2 distingue entre <a href=\"https:\/\/factorialhr.pt\/blog\/empresas-essenciais-vs-importantes-nis2\/\">entidades essenciais e entidades importantes<\/a>. As obriga\u00e7\u00f5es da dire\u00e7\u00e3o s\u00e3o as mesmas nos dois casos, mas a supervis\u00e3o e as san\u00e7\u00f5es mudam.<\/p>\n<p>As <strong>entidades essenciais t\u00eam uma supervis\u00e3o proativa<\/strong>, com inspe\u00e7\u00f5es e auditorias mesmo que n\u00e3o tenha acontecido nada. As <strong>entidades importantes t\u00eam uma supervis\u00e3o reativa<\/strong>, que normalmente s\u00f3 arranca depois de um incidente ou de uma den\u00fancia. Em Portugal, essa supervis\u00e3o cabe ao Centro Nacional de Ciberseguran\u00e7a (CNCS) e \u00e0s autoridades setoriais. Al\u00e9m disso, a possibilidade de afastar temporariamente um gestor das suas fun\u00e7\u00f5es s\u00f3 est\u00e1 prevista para as essenciais.<\/p>\n<h2>A dire\u00e7\u00e3o pode delegar a NIS2?<\/h2>\n<p>Sim e n\u00e3o. A dire\u00e7\u00e3o pode delegar a execu\u00e7\u00e3o, mas a responsabilidade continua a ser sua. \u00c9 a ideia que mais conv\u00e9m ter clara, porque \u00e9 tamb\u00e9m a que gera mais confus\u00e3o.<\/p>\n<h3>O que se pode delegar<\/h3>\n<p><strong>A dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem de tratar do trabalho t\u00e9cnico<\/strong>. Tudo o que \u00e9 operacional pode ficar nas m\u00e3os do CISO, da equipa de IT ou de um fornecedor externo, que s\u00e3o quem tem conhecimentos para o fazer.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Implementar e manter os controlos t\u00e9cnicos:<\/strong> configurar e rever as medidas de seguran\u00e7a, como a encripta\u00e7\u00e3o ou as palavras-passe.<\/li>\n<li><strong>Gerir e notificar incidentes:<\/strong> responder a um ataque e avisar o CNCS dentro dos prazos legais.<\/li>\n<li><strong>Manter o invent\u00e1rio e a documenta\u00e7\u00e3o:<\/strong> ter sempre atualizada a lista de equipamentos e ferramentas, bem como os documentos de seguran\u00e7a.<\/li>\n<li><strong>Preparar os relat\u00f3rios para a dire\u00e7\u00e3o:<\/strong> resumir o estado da seguran\u00e7a para que a dire\u00e7\u00e3o o possa analisar.<\/li>\n<li><strong>Coordenar auditorias e fornecedores:<\/strong> organizar as revis\u00f5es de seguran\u00e7a e confirmar que os fornecedores cumprem.<\/li>\n<\/ul>\n<h3>O que n\u00e3o se pode delegar<\/h3>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o das medidas, a supervis\u00e3o da sua aplica\u00e7\u00e3o e a pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o continuam a ser da dire\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00e3o se podem delegar as decis\u00f5es de fundo, como que riscos se aceitam, quanto or\u00e7amento se dedica \u00e0 seguran\u00e7a ou que falhas se corrigem primeiro.<\/p>\n<p>A lei portuguesa \u00e9 clara neste ponto. Segundo o Decreto-Lei n.\u00ba 125\/2025, a responsabilidade dos \u00f3rg\u00e3os de gest\u00e3o s\u00f3 pode ser delegada noutro titular desses mesmos \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>Delegar a execu\u00e7\u00e3o no respons\u00e1vel de seguran\u00e7a \u00e9 perfeitamente compat\u00edvel com a NIS2. <strong>O que a lei n\u00e3o aceita \u00e9 que a dire\u00e7\u00e3o se alheie do tema<\/strong>.<\/p>\n<h2>Que responsabilidade pessoal assumem os gestores?<\/h2>\n<p>Com a NIS2, a ciberseguran\u00e7a deixa de ser um problema apenas da empresa. Se as coisas forem mal feitas, quem a gere tamb\u00e9m pode sofrer as consequ\u00eancias.<\/p>\n<h3>Quando \u00e9 que um gestor responde<\/h3>\n<p>Um gestor n\u00e3o responde s\u00f3 porque a empresa sofreu um ciberataque. <strong>Responde quando n\u00e3o fez a sua parte<\/strong>, ou seja, quando n\u00e3o aprovou as medidas de seguran\u00e7a, n\u00e3o supervisionou a sua aplica\u00e7\u00e3o ou ignorou os problemas que lhe foram comunicados.<\/p>\n<p>Em Portugal, o artigo 25.\u00ba do Decreto-Lei n.\u00ba 125\/2025 concretiza esta ideia. Os titulares dos \u00f3rg\u00e3os de gest\u00e3o podem ser responsabilizados a t\u00edtulo individual por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o, quando atuem com dolo ou culpa grave.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 t\u00e3o importante conseguir demonstrar que a dire\u00e7\u00e3o acompanhou o tema de perto.<\/p>\n<h3>O que pode acontecer<\/h3>\n<p>As consequ\u00eancias dependem do tipo de empresa e da gravidade do incumprimento.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Coimas para a empresa:<\/strong> at\u00e9 10 milh\u00f5es de euros ou 2% do volume de neg\u00f3cios anual a n\u00edvel mundial nas entidades essenciais, e at\u00e9 7 milh\u00f5es ou 1,4% nas importantes, aplicando-se sempre o valor mais elevado.<\/li>\n<li><strong>Afastamento tempor\u00e1rio de fun\u00e7\u00f5es:<\/strong> nas entidades essenciais, se a empresa n\u00e3o corrigir os incumprimentos, a autoridade pode impedir os seus gestores de exercer fun\u00e7\u00f5es at\u00e9 que o fa\u00e7a.<\/li>\n<li><strong>Responsabilidade pessoal:<\/strong> os gestores podem responder a t\u00edtulo individual quando h\u00e1 dolo ou culpa grave, como prev\u00ea o artigo 25.\u00ba do Decreto-Lei n.\u00ba 125\/2025.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Podes ver mais informa\u00e7\u00e3o sobre tudo isto no artigo sobre <a href=\"https:\/\/factorialhr.pt\/blog\/sancoes-nis2\/\">as san\u00e7\u00f5es por incumprimento da diretiva NIS2<\/a>.<\/p>\n<h2>NIS2 e a dire\u00e7\u00e3o em Portugal<\/h2>\n<p>Portugal <strong>j\u00e1 transp\u00f4s a NIS2 para a legisla\u00e7\u00e3o nacional<\/strong>. F\u00ea-lo atrav\u00e9s do Decreto-Lei n.\u00ba 125\/2025, de 4 de dezembro, que aprovou o novo Regime Jur\u00eddico da Ciberseguran\u00e7a e que est\u00e1 em vigor desde 3 de abril de 2026. Podes ver o calend\u00e1rio completo no artigo sobre <a href=\"https:\/\/factorialhr.pt\/blog\/nis2-entrada-vigor-portugal\/\">quando entra em vigor a diretiva NIS2 em Portugal<\/a>.<\/p>\n<p>Para a dire\u00e7\u00e3o, a lei portuguesa traz tr\u00eas pontos a ter em conta.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Responsabilidade individual:<\/strong> os titulares dos \u00f3rg\u00e3os de gest\u00e3o, dire\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o podem responder pessoalmente por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o, com dolo ou culpa grave.<\/li>\n<li><strong>Delega\u00e7\u00e3o limitada:<\/strong> essa responsabilidade s\u00f3 pode ser delegada noutro titular dos \u00f3rg\u00e3os de gest\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Respons\u00e1vel de ciberseguran\u00e7a:<\/strong> a empresa tem de designar um respons\u00e1vel de ciberseguran\u00e7a que seja membro dos \u00f3rg\u00e3os de gest\u00e3o ou que lhes responda de forma direta.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O CNCS tem vindo a publicar a regulamenta\u00e7\u00e3o que concretiza estas obriga\u00e7\u00f5es, por isso conv\u00e9m acompanhar as suas orienta\u00e7\u00f5es de perto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os gestores j\u00e1 tinham deveres em mat\u00e9ria de ciberseguran\u00e7a antes desta lei. O C\u00f3digo das Sociedades Comerciais exige-lhes a dilig\u00eancia de um gestor criterioso e ordenado. Se um ciberataque causar danos e se provar que a dire\u00e7\u00e3o ignorou os riscos ou os avisos da sua equipa, pode acabar por responder por isso, esteja ou n\u00e3o a empresa abrangida pela NIS2.<\/p>\n<h2>Como cumprir a NIS2 a partir da dire\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n<p>A forma mais pr\u00e1tica de cumprir o artigo 20.\u00ba \u00e9 <strong>transformar a supervis\u00e3o da ciberseguran\u00e7a numa rotina de governa\u00e7\u00e3o<\/strong>, tal como a revis\u00e3o das contas ou dos riscos financeiros. Estes s\u00e3o os passos b\u00e1sicos.<\/p>\n<h3>1. Atribuir responsabilidades por escrito<\/h3>\n<p>Define <strong>quem trata da seguran\u00e7a no dia a dia<\/strong>, com que autoridade e com que recursos. Pode ser um CISO, um respons\u00e1vel de IT ou um fornecedor externo, mas o seu papel e a forma como presta contas \u00e0 dire\u00e7\u00e3o t\u00eam de estar documentados.<\/p>\n<p>Em Portugal, este passo est\u00e1 ligado \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o de designar o respons\u00e1vel de ciberseguran\u00e7a prevista no Decreto-Lei n.\u00ba 125\/2025. <strong>Muitas empresas criam tamb\u00e9m um comit\u00e9 de ciberseguran\u00e7a<\/strong> ou incluem o tema como ponto fixo na ordem de trabalhos do conselho de administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>2. Receber informa\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica sobre riscos e incidentes<\/h3>\n<p>Para supervisionar, a dire\u00e7\u00e3o precisa de informa\u00e7\u00e3o clara e regular. O mais pr\u00e1tico \u00e9 pedir um relat\u00f3rio trimestral, sem tecnicismos e com alguns indicadores simples como estes.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Dispositivos encriptados e atualizados:<\/strong> quantos equipamentos protegem bem a informa\u00e7\u00e3o e t\u00eam as \u00faltimas atualiza\u00e7\u00f5es instaladas.<\/li>\n<li><strong>Equipamentos que n\u00e3o cumprem as pol\u00edticas:<\/strong> que dispositivos fogem \u00e0s regras de seguran\u00e7a da empresa.<\/li>\n<li><strong>Acessos ativos depois de uma sa\u00edda:<\/strong> se algu\u00e9m que j\u00e1 saiu da empresa ainda consegue entrar nas suas ferramentas.<\/li>\n<li><strong>Incidentes e tempo de resposta:<\/strong> quantos problemas de seguran\u00e7a houve e quanto tempo se demorou a resolv\u00ea-los.<\/li>\n<li><strong>Fornecedores e ferramentas SaaS:<\/strong> se a seguran\u00e7a dos fornecedores principais foi revista e se h\u00e1 aplica\u00e7\u00f5es em uso que ningu\u00e9m aprovou.<\/li>\n<li><strong>Falhas pendentes da auditoria:<\/strong> que falhas detetadas na \u00faltima revis\u00e3o continuam por corrigir.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Para que estes indicadores sejam fi\u00e1veis, a empresa precisa primeiro de saber o que tem. \u00c9 aqui que entra o <a href=\"https:\/\/factorialhr.pt\/blog\/inventario-de-ativos-na-nis2\/\">invent\u00e1rio de ativos na NIS2<\/a>, que \u00e9 a base de quase qualquer relat\u00f3rio de seguran\u00e7a.<\/p>\n<h3>3. Dedicar recursos proporcionais ao risco<\/h3>\n<p>As medidas de seguran\u00e7a precisam de or\u00e7amento, tempo e pessoas. Se a dire\u00e7\u00e3o as aprovar sem lhes dar recursos, o problema continua a ser seu.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que a NIS2 n\u00e3o exige o mesmo a todas as empresas. As medidas t\u00eam de se ajustar \u00e0 dimens\u00e3o e ao risco de cada uma, por isso uma PME n\u00e3o precisa de investir como um banco. O importante \u00e9 que a dire\u00e7\u00e3o decida o que \u00e9 razo\u00e1vel e o deixe por escrito.<\/p>\n<p>Isto inclui os fornecedores e as <a href=\"https:\/\/factorialhr.pt\/blog\/nis2-e-saas\/\">aplica\u00e7\u00f5es SaaS que a tua equipa usa<\/a>, que tamb\u00e9m fazem parte do risco da empresa.<\/p>\n<h3>4. Deixar registo documental da supervis\u00e3o<\/h3>\n<p>Se houver uma inspe\u00e7\u00e3o, n\u00e3o basta dizer que a dire\u00e7\u00e3o supervisionou. \u00c9 preciso conseguir prov\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Por isso, conv\u00e9m guardar tudo o que deixe rasto dessa supervis\u00e3o. As atas onde se aprovam as medidas, os relat\u00f3rios que a dire\u00e7\u00e3o analisou, as decis\u00f5es sobre riscos e or\u00e7amento e os registos de forma\u00e7\u00e3o dos seus membros. Com estes documentos, qualquer inspetor consegue ver que a dire\u00e7\u00e3o fez a sua parte.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m a mesma documenta\u00e7\u00e3o que te v\u00e3o pedir numa <a href=\"https:\/\/factorialhr.pt\/blog\/auditoria-nis2\/\">auditoria NIS2<\/a>. Quanto mais cedo come\u00e7ares a produzi-la, menos trabalho ter\u00e1s quando chegar a altura.<\/p>\n<h2>Como supervisionar a ciberseguran\u00e7a com o Factorial IT?<\/h2>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o s\u00f3 consegue supervisionar bem se tiver dados claros e atualizados. O problema \u00e9 que, em muitas empresas, essa informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 espalhada por folhas de c\u00e1lculo, emails e ferramentas diferentes, e reuni-la leva horas.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/factorialhr.pt\/factorial-it\">Factorial IT<\/a> junta dispositivos, acessos e aplica\u00e7\u00f5es numa \u00fanica plataforma ligada aos RH. Assim, a equipa de IT tem sempre \u00e0 m\u00e3o o estado real da seguran\u00e7a e pode partilh\u00e1-lo com a dire\u00e7\u00e3o sem ter de o procurar de cada vez.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Controlo de dispositivos:<\/strong> com a gest\u00e3o de dispositivos MDM, a equipa de IT aplica as mesmas pol\u00edticas de encripta\u00e7\u00e3o, palavras-passe e bloqueio em todos os equipamentos e recebe um alerta quando algum deixa de as cumprir.<\/li>\n<\/ul>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-201959 aligncenter\" src=\"https:\/\/factorialhr.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/14121148\/gestion-activos-factorial-it-1024x505.png\" alt=\"gest\u00e3o de ativos no Factorial IT\" width=\"1024\" height=\"505\" srcset=\"https:\/\/factorialhr.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/14121148\/gestion-activos-factorial-it-1024x505.png 1024w, https:\/\/factorialhr.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/14121148\/gestion-activos-factorial-it-300x148.png 300w, https:\/\/factorialhr.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/14121148\/gestion-activos-factorial-it-768x379.png 768w, https:\/\/factorialhr.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/14121148\/gestion-activos-factorial-it.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<ul>\n<li><strong>Atualiza\u00e7\u00f5es e vulnerabilidades:<\/strong> permite ver que equipamentos est\u00e3o por atualizar, que vulnerabilidades t\u00eam e que sistemas ficaram sem suporte.<\/li>\n<li><strong>Prote\u00e7\u00e3o contra malware:<\/strong> integra-se com solu\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a como o SentinelOne e o ThreatDown e confirma que o antiv\u00edrus est\u00e1 instalado e a funcionar em cada equipamento.<\/li>\n<li><strong>Invent\u00e1rio sempre atualizado:<\/strong> cada port\u00e1til, telem\u00f3vel e licen\u00e7a aparece atribu\u00eddo \u00e0 pessoa que o usa, sem teres de manter um Excel.<\/li>\n<li><strong>Entradas e sa\u00eddas sem esquecimentos:<\/strong> quando algu\u00e9m entra ou sai da empresa nos RH, os seus acessos s\u00e3o atribu\u00eddos ou retirados de imediato, e cada passo fica registado.<\/li>\n<li><strong>Aplica\u00e7\u00f5es sob controlo:<\/strong> a gest\u00e3o de SaaS deteta as ferramentas que ningu\u00e9m aprovou e permite decidir quais ficam.<\/li>\n<\/ul>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-202434 aligncenter\" src=\"https:\/\/factorialhr.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/18140225\/controles-factorial-it-1024x500.png\" alt=\"controlos de conformidade no Factorial IT\" width=\"1024\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/factorialhr.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/18140225\/controles-factorial-it-1024x500.png 1024w, https:\/\/factorialhr.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/18140225\/controles-factorial-it-300x147.png 300w, https:\/\/factorialhr.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/18140225\/controles-factorial-it-768x375.png 768w, https:\/\/factorialhr.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/18140225\/controles-factorial-it.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<ul>\n<li><strong>Resposta r\u00e1pida a incidentes:<\/strong> se um equipamento for comprometido, mostra de imediato quem o usa e a que tem acesso, e permite bloque\u00e1-lo ou apag\u00e1-lo remotamente.<\/li>\n<li><strong>Evid\u00eancias autom\u00e1ticas:<\/strong> as provas de conformidade para a NIS2 e a ISO 27001 s\u00e3o geradas automaticamente a partir de cada dispositivo, prontas para uma auditoria ou para os relat\u00f3rios da dire\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Ainda assim, a ferramenta fornece os dados e as evid\u00eancias, mas aprovar as medidas, decidir os recursos e deixar tudo registado em ata continua a ser tarefa da dire\u00e7\u00e3o. Se quiseres ver todos os requisitos que cobre, podes ler <a href=\"https:\/\/factorialhr.pt\/blog\/como-e-que-o-factorial-it-ajuda-a-cumprir-nis2\/\">como \u00e9 que o Factorial IT ajuda a cumprir a NIS2<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante anos, a ciberseguran\u00e7a foi um assunto do departamento de IT. Com a NIS2 isso muda, porque a diretiva europeia aponta diretamente para os \u00f3rg\u00e3os de gest\u00e3o das empresas abrangidas e atribui-lhes a tarefa de aprovar as medidas de ciberseguran\u00e7a, supervisionar a sua aplica\u00e7\u00e3o e ter forma\u00e7\u00e3o suficiente para perceber o que assinam. Neste artigo<a href=\"https:\/\/factorial.com\/blog\/pt-pt\/nis2-e-a-direcao\/\" class=\"read-more\"> [&#8230;]<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":352,"featured_media":206306,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1055],"tags":[],"class_list":["post-206302","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nis2"],"acf":{"topics":"factorial-it"},"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v21.5 (Yoast SEO v21.9.1) - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>NIS2 e a dire\u00e7\u00e3o: que responsabilidades assume | Factorial<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Tens d\u00favidas sobre o que a diretiva NIS2 exige \u00e0 dire\u00e7\u00e3o? Explicamos-te tudo o que precisas de saber. 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