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Inovação em Recursos Humanos: Entrevista com Brunno Ribeiro, da DefinedCrowd

A nova realidade do teletrabalho e as mudanças no mercado de trabalho fizeram com que muitas empresas percebessem a necessidade de mudar. Afinal, tempos de crise nos desafiam a inovar e a fazer diferente. Por isso, diferentes áreas têm buscado alternativas para lidar com os desafios, e com o departamento de Recursos Humanos não é diferente. O RH tem um papel fundamental no funcionamento da empresa e influencia diretamente na produtividade dos funcionários. Por isso, buscar a inovação em RH é cada vez mais urgente.

Para falar sobre o assunto, convidamos o Diretor de Talent Aquisition e Compensação da DefinedCrowd, Brunno Ribeiro. Brunno contou-nos sobre sua experiência e destacou a importância de unir a digitalização com uma gestão mais humana e inclusiva.

Para além disso, falou a necessidade de buscar alternativas que simplifiquem processos repetitivos e de ter uma visão de futuro. Entre tantos recursos e metodologias que estão a surgir, é importante ter foco e informar-se daquilo que realmente pode fazer a diferença na gestão de pessoas na sua empresa.

Leia abaixo a entrevista completa para saber mais!

1) Antes de mais nada, pode nos contar um pouco sobre sua trajetória profissional? Como começou a sua relação com a área de Recursos Humanos?

Antes de trabalhar em Recursos Humanos eu trabalhei durante alguns anos na área de Logística e Supply Chain, em pricing e operações de transporte marítimo, e era sempre convidado pela equipa de RH para participar no onboarding de novos colaboradores e entrevistas técnicas.

Apaixonei-me pela área e decidi fazer o meu mestrado em Gestão de Recursos Humanos. Comecei numa posição de People Partner e Recruiter numa pequena divisão da Altran em Barcelona, com 150 colaboradores na altura. A minha carreira sempre se focou muito na área de Talent Acquisition no setor de TI e Engenharia Industrial.

2) Como acha que será o futuro do trabalho? Achas que o teletrabalho veio para ficar?

Acredito que haverá cada vez mais flexibilidade e o teletrabalho é um formato que adquirirá cada vez mais relevância, mas nunca vai substituir a colaboração presencial.

Existe um poder muito grande em ter várias pessoas no mesmo sítio a colaborar e enriquecendo-se umas às outras com conhecimento e ideias. Como diz o sociólogo norte-americano Richard Florida, o clustering é essencial para a inovação e o avanço das indústrias criativas.

3) Como o RH e os gestores podem incentivar a inovação dentro das empresas?

RH e Gestores devem ter um mindset de melhoria contínua de processos, metodologias e sistemas e dar direcionamento às pessoas, com visão de futuro, e não apenas na repetição de tarefas, tal como são realizadas hoje.

4) De que forma as empresas podem auxiliar os funcionários a adaptarem-se ao teletrabalho e ao uso de novas tecnologias?

Com formação no uso dessas tecnologias, mas mais importante é não esquecer o apoio emocional e ajudar as pessoas a construírem resiliência.

Somos seres sociais e a falta de interação com outras pessoas tem um impacto emocional muito grande nos colaboradores.

E sobretudo ajudar os gestores a detectar quando um colaborador precisa de mais suporte, a falta de contacto pode dificultar esse processo, então os gestores precisam de estar melhor preparados para os poderem ajudar.

5) Como o RH pode aproveitar este momento para inovar?

Nunca houve melhor incentivo para que os departamentos de RH se foquem na automatização de tarefas e digitalização de processos.

Eu diria que é um excelente momento para repensar em como libertar o nosso tempo para podermos dedicar-nos mais às pessoas e a tarefas de alto valor agregado.

6) Acha que Portugal é um país que aceita e incentiva a inovação? A que passo estamos?

Acho que sim, o talento em Portugal é de excelente qualidade e muito inovador. Falta mais diversidade de uma maneira geral (apenas 5% da população de Portugal é estrangeira, um valor muito abaixo da média dos nos vizinhos europeus) e diversidade fomenta a inovação e a criatividade.

Um esforço coordenado entre as Universidades e empresas para atrair talento internacional é vital. Atrair estudantes internacionais pode ser feito com a ampliação da oferta de programas em inglês.

Estes estudantes devem ter a oportunidade de cá ficar e trabalhar, gerando clusters em áreas de alto valor agregado, como inteligência artificial, tecnologia, ciências da saúde e da vida, engenharia, artes audiovisuais e publicidade.

7) Quais são as necessidades mais urgentes para o RH hoje? Como a tecnologia pode ajudar a solucionar estas questões?

Acho que a necessidade mais urgente de RH hoje é digitalizar e automatizar processos, para que as equipas de RH possam dedicar-se mais a ajudar as empresas a alcançar os seus objetivos estratégicos.

Isso para que continuem desenvolvendo tarefas com maior impacto, como planeamento estratégico do workforce, desenho organizacional, programas de formação alinhados com a estratégia empresarial, etc.

8) A inovação nos Recursos Humanos resume-se apenas às tecnologias? De que outras formas é possível implemetar a inovação em RH?

A inovação não se dá apenas no âmbito das tecnologias, mas  também nos processos.

Hoje, por exemplo, temos imensa dificuldade em encontrar ferramentas tecnológicas que nos ajudem a criar pipelines de recrutamento com candidatos de minorias étnicas e/ou do sexo feminino. Então, temos que repensar as nossas estratégias de sourcing para poder melhorar os nossos pipelines e isso acaba por se refletir na maneira como operamos enquanto equipa, e não necessariamente numa mudança tecnológica.

9) Na sua opinião, quais são as maiores tendências de RH para 2021?

Digitalização de processos, políticas de Diversidade & Inclusão e foco na saúde mental dos trabalhadores.

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