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Transcrição

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Combinar criatividade com números

00:17

Vou poder levar isto tudo depois, todos os objetos?interessam-me.

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A criatividade é compatível com números e operações? 100%.100%, sim. Houve algo que, na verdade, acho que foi o que mais gostei na minha época do Playground, que foi quando toda a gente já percebia que aquilo não ia bem, e achei superacertado que o fundador e o diretor-geral nos dessem explicações em cada Q, tipo: "Olha,isto é o que se faturou, isto é o que nos fica líquido".

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Então foi tipo, olha, eu venho da criatividade,venho de estudar, digo-te, Publicidade e Relações Públicas,mas foi tipo, olha, o que é isto que nos estão a falar aqui de conta de exploração, EBITDA?

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E a partir dessa curiosidade de saber onde está o dinheiro,foi, na verdade, pelo que tenho agora o cargo que tenho de diretora no Código Nuevo.

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Quero dizer, no fim era tipo, pá, ganhamos superpouco.

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Somos um monte de duplas a pensar em formatos criativos e, tranquilamente,podíamos estar a vender campanhas de 40 a 50.000 € por semana,cada equipa de redator, editor, multimédia e project manager.

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Como é que as contas não batem certo? Porque tu ganhas 18.000 €, eu ganho 20.000...

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Quer dizer, e isto é toda a semana e somos cinco equipas.

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Então, para onde é que está a ir este dinheiro?

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E dessa curiosidade, de querer entender no fim a organização do dinheiro,foi por isso que hoje estou aqui.

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Lembro-me que tive sorte grande, porque na fase final do Playground,que já estava praticamente fechado, ligaram-me do Código Nuevo.

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E o diretor-geral que tenho atualmente foi como o meu anjo da guarda, porque foi tipo, olha, eu nunca toquei num Excel,mas sei pensar em formatos criativos e vendáveis para marcas.

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Foi tipo: "Não há problema, fazemos um bom tandem.

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Eu explico-te toda a parte do Excel, tu explicas-me toda esta parte criativa". E a partir daí continuamos aqui.

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Então, para mim é convivência absoluta.Penso sempre que trabalhar num meio de comunicação é um privilégio,porque não há assim tantos meios de comunicação em Espanha e no fundo é como... Digo sempre à equipa: "A sorte que temos de que nós próprias sejamos o target do meio para o qual estamos a criar conteúdos é uma sorte". Quero dizer, há gente em agências de publicidade a pensar em campanhas para um público de 60 anos.

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Nós, desculpem, não é tão divertido.Então, ser conscientes também desse privilégio é tipo, olha,vamos tentar que tudo corra bem, que todos os números batam certo,para que possamos continuar a fazer esta parte do meio, que é a que mais nos motiva.

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Devo reconhecer que muitas vezes sinto falta do meu trabalho anterior,que era apenas de diretora criativa. E no fim é um trabalho, devo dizer,estressante, mas divertido e interessante. Mas devo dizer que ganhei gosto pelo Excel, ao poder avaliar estes formatos de "Olha, queremos fazer um formato novo, que seja irmos filmar a este sítio com esta pessoa?

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Perfeito, bora ver se é possível:Que recursos, pessoas, precisamos para fazer este tipo de formato?

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Sentar-me com a project manager, a diretora criativa,para avaliar também quantas horas vamos precisar em termos de equipa ou dinheiro de produção, é ótimo:isto sai-nos a tantas horas. No fim é uma ferramenta fácil,porque se eu a consigo entender, digo sempre que não é nada assim supercomplicado.

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Então, se este perfil tem um salário de X dinheiro,vai dedicar-lhe tantas horas, ok, vai-nos custar isto em tempo,contando margem de erro nisso.

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Em vídeo vão ser precisas tantas horas, em criatividade, tantas.

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No departamento de redes sociais, X. E isto fica-nos por este preço, ótimo.

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Que valor estamos a acrescentar a este formato? É rentável ou não?

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Então, encontrar essa rentabilidade dentro da criatividade é algo que devo dizer que gosto imenso.

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E acho que um ponto importante ao otimizar as operações é também valorizar a criatividade destes formatos.

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Quer dizer, é mesmo necessário eu ter todos estes recursos ao fazer estas peças?

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Se calhar não, porque com menos consigo fazê-lo e continuamos a ter uma peça supercriativa.

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Então, é avaliar também no fim a originalidade destas peças,independentemente dos recursos.

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Como diretora-geral, diria que o meu objetivo principal não é a rentabilidade.

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No fundo, é encontrar esse equilíbrio entre que a equipa se sinta bem,que esteja a desfrutar do que está a fazer e, no fim, obviamente,os números têm de bater certo, isso é algo evidente.

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Mas não é o principal, porque se no fim, olha,preciso de pôr mais mãos para que esta dupla não fique sufocada, ótimo,vamos fazê-lo assim para que no fim o ambiente também seja superimportante ao trabalhar.

04:47

Então, obviamente, se as coisas não são rentáveis, não se podem fazer.

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E ainda mais quando o trabalho está tão ligado à criatividade.

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Se tens uma equipa frustrada, no fim tanto faz que lhes expliques com números que não há assim tantos lucros, porque para eles vai ser igual e a mim não me interessa nada ter uma equipa que não esteja bem.