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Transcrição

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Abrir um negócio em 24 horas

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Abrir um negócio em 24 horas. Como e onde?Em qualquer lugar pode ser uma boa ideia.

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Há também uma anedota da minha época no setor têxtil.

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Isto foi em 1890.Duas empresas de calçado de Londres olharam para África como um futuro mercado exponencial.

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Enviaram para lá os seus melhores comerciais,enviam a este país em África.

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Passadas duas ou três semanas,receberam notícias de ambos.

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O primeiro disse:“Olá, equipa.Estou de volta a casa. Aqui não há nada a fazer.

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Toda a gente anda descalça.” O segundo disse: “Olá, equipa.

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Eu fico.Isto é um grande mercado.Toda a gente ainda anda descalça.” Se tens a visão e a ideia, consegues alcançar.

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Claro que, se falarmos de continentes,temos de ver qual é a situação atual.

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Quantas startups se podem criar num país em comparação com outro ou em outros continentes?

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Na Europa, muito menos do que nos Estados Unidos.Ou do que em países como o Dubai ou Abu Dhabi neste momento.

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Mas isso não tem de travar os empreendedores.Não significa que as etapas seguintes sejam mais fáceis nesses outros países do que aqui.

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Acredito que a Europa tem coisas muito positivas, e estas barreiras de entrada para novos empreendedores são complexas.

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Mas também é verdade que, depois, tens uma maturidade de mercado que acompanha e dá segurança ao crescimento.

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Penso que, se quiseres abrir um negócio em 24 horas, pode haver outros sítios mais fáceis. Mas o que tens de pensar é um pouco mais além:Qual é o melhor lugar, não só a curto prazo, mas também a médio e longo prazo?

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O que nos podes contar de países como o Chile e de como facilitam esse processo de criar uma empresa em 24 horas?

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O que acontece em muitos países é: crise.Quando estamos em uma crise.não são apenas as empresas, mas também os Estados que têm de criar modelos que ajudem as empresas e as pessoas a superá-las.

02:29

E o que é a primeira coisa com que alguém se depara quando quer abrir uma empresa?

02:33

Barreiras.Para quê colocar tantas barreiras logo no início?

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Temos de simplificar ao máximo.Então, quantas ajudas ou oportunidades oferecem os países a esses novos empreendedores?

02:46

Quando os países impõem tantas barreiras à criação de empresas,há pessoas que decidem ir fundar os seus negócios noutros lugares,onde encontram muito mais facilidades.

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O erro dos países é duplo: não só deixam de gerar negócio em seu país, como ainda oferecem a outros países a oportunidade de beneficiar das ideias dos seus próprios cidadãos.

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E assim perdem competitividade.Se dividirmos o mundo em continentes ou em pontos de alto crescimento tecnológico,percebemos que a Europa é um ponto de crescimento menor do que outros.

03:25

É como acontecia antes entre o Japão e a Coreia.

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Nos anos 50, 60 e 70, a Coreia estava numa crise enorme:tinha acabado de passar pela guerra da Coreia e o país definia-se como mão de obra.

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E, de repente, uau! Hoje vemos quantas empresas tecnológicas têm sede na Coreia,a começar pela Samsung.

03:46

E essa transformação, em quanto tempo a fizeram?

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Em menos de 50 anos?Possivelmente porque colocaram muito poucas barreiras à entrada de tudo o que fosse conhecimento.

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É por isso que, quando olhamos para o mapa mundial da tecnologia,vemos países que realmente crescem muito mais rápido. E muitas vezes é porque lá consegues criar uma empresa em 24 horas, e não em 240 dias.

04:10

Devemos repensar, a nível europeu, quando e como aplicamos a fiscalidade?

04:15

Sem dúvida.A fiscalidade é necessária para manter a nossa qualidade de vida?

04:19

Sim.A Europa é uma referência em termos de bem-estar?

04:24

Sim.Os nossos valores sociais têm uma qualidade incrível em comparação com outros países, isso é algo muito positivo.

04:33

E está claro que tudo isso se faz através da fiscalidade, através da capacidade de distribuir a riqueza da forma mais justa e igualitária possível.

04:42

Há momentos em que podemos exigir mais às empresas.

04:46

E há momentos em que os Estados têm de dar muito mais às empresas.