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Transcrição

00:08

Por favor, Rita.Posso tirar outro?Por favor.Ah, isto é muito longe!

00:18

Uma bússola!Portanto, como é que isto se faz?É assim,temos que alinhar este com aquele.

00:25

Ora, eu tenho isto na minha mochila de emergência.

00:28

Se ainda não fizeste a tua, recomendo fazer a mochila de emergência.

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Ora bem, a bússola tem como pergunta: Como é que a história da sua família influenciou o seu percurso profissional?

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É uma boa pergunta.Eu venho de famílias humildes, da Serra das Minas,ambos os meus pais tinham dois trabalhos para nos darem um bocadinho mais de conforto, a mim e a minha irmã.

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O meu pai trabalhava num banco e vendia livros do circulo de leitores.

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No outro dia fui a uma faculdade e tive que explicar aos miúdos o que era o circulo de leitores.

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Então disse que era uma Fnac, vender de porta a porta.

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Eles lá entenderam.A minha mãe era professora do ensino especial e vendia artigos de bijuteria.

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Estudei toda a minha vida em escolas públicas.e toda a minha vida eu ouvi os meus pais dizerem que tens que ter um emprego com futuro, tens que ter um emprego estável, um emprego que te dê um salário bom, um emprego que te dê de alguma maneira uma vida estável.

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E foi mais ou menos no décimo ano que eu tive uma disciplina chamada T.O.E., na Escola Pública em Mem Martins, que eu tive um professor que me disse, porque eu tive muito bom desempenho, tive 19 em 20 e o professor disse, "Ó Rita, se gostas muito disto, devias de ir para a auditoria porque vais trabalhar muito e vais ganhar muito dinheiro".

01:40

E aquelas palavras do professor fizeram todo o sentido na minha cabeça porque estava muito alinhado com aquilo que os meus pais me diziam em casa.

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Tens de ter um emprego com futuro, um emprego estável.

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Portanto, trabalhar muito,todos temos.Ganhar muito dinheiro,parecia-me que era uma possibilidade fantástica.

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Então, aquelas palavras do professor tornaram-se quase o meu primeiro plano de carreira,sem eu saber o que era um plano de carreira na altura, sem ser um plano estruturado.

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E então fui procurar a única faculdade em Lisboa que dava um curso superior em auditoria, que foi o ISCAL.

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Eu fui a primeira pessoa da minha família a ir para a faculdade, portanto não tive os meus pais que me pudessem ajudar, qual seria a melhor faculdade para onde eu ir,mas escolhi o ISCAL, que era a única faculdade que dava um curso superior em auditoria e tirei o curso no ISCAL e entrei para a Deloitte, tal e qual como o professor disse, trabalhei muito, muito, muito, muito.

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Ganhar muito dinheiro foi relativo, foi ganhar... não chegava a mil euros, na altura, 175 contos.

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E eu acho que a história da minha família influenciou muito porque ambos os meus pais começaram a trabalhar muito novos, a minha mãe veio da guarda para Lisboa para trabalhar na casa da madrinha e estudar ao mesmo tempo.

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Eu sei, pelos meus pais o que é fazer sacrifícios para conseguirmos atingir os nossos objetivos e eu sempre tive a vontade e o querer de deixar os meus pais orgulhosos, de conquistar mais, de chegar mais além e, portanto, fiz sempre questão de ser uma boa aluna, fiz sempre questão de ir atrás dos meus sonhos para, de alguma maneira, os encher de orgulho e sentir que eles tinham prazer em dizer que eu era filha deles e que eles se sentiam felizes de saber que eu estava em busca dos meus sonhos e que estava à procura de chegar mais além e de conquistar os meus objetivos.

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Portanto, eu tenho muito a agradecer aos meus pais a resiliência, a adaptabilidade,esta garra de querer chegar mais além, de nunca me terem cortado as vasas, como dizemos em português, de sempre me terem apoiado para ir buscar tudo aquilo a que eu me propunha.