Transcrição
Reinventar-se para o mundo digital
Vamos ver.Como te reinventaste para o mundo digital?
Pois, devo dizer, e vindo de estudar um curso de publicidade em que mal uma cadeira era publicidade digital, foi sempre à base de tropeços, na verdade.
De ir aprendendo pelo caminho: "Olha, isto é o Playground,é uma revista digital, vamos tentar monetizá-la,". "De branded o quê?" Soava-me como que...
na universidade tinham-nos dito: "Sim, branded content,BMW, Madonna..". Nada a ver, era uma curta, no fim, que estava na Internet e aquilo foi .
E no fim foi, digo-vos, acho que o melhor de estar no início de uma etapa é que no fim podes errar as vezes que quiseres e podes ir experimentando e falhando o tempo todo.
Então, isto na verdade é um pouco a filosofia que temos no Código Nuevo,em que, olha, a Meta lança hoje um formato novo? Brutal.
Amanhã nós já o estamos a testar editorialmente,vamos ver como funciona e na semana seguinte já estamos a tentar ver que marcas querem fazer uma collab com ele.
Então, é esta prova e erro constante e ser rápidas em todo o momento.
Assim diria eu que se reinventa alguém para o mundo digital.
Com as raparigas, repito-me imenso, mas digo sempre,no fim não temos esse medo o tempo todo para ver que coisas novas podemos lançar.
Então, ser rápidas, não ter medo, saber que o nosso modelo de negócio pode mudar num mês, dois, seis.
Agora fazemos este tipo de vídeo vertical? Brutal.
Que em meio ano pode ser que sejam carrosséis,mas que sejam em vídeo? Brutal, acho que já vamos por aí.
O ano que vem não fazemos ideia, mas não temos medo.
Então, é tipo vamos experimentando.E a minha responsabilidade, também, é tipo, "epá, redistribui os números para que no fim isto seja rentável como estava a ser com o modelo de negócio atual".
Então, acho que é bastante fixe o facto de pôr preço a estes formatos digitais.
E estar sempre no terreno no sentido de: "Olha, para fazer este tipo de vídeo,preciso de um cameraman tantas horas, um guionista que tenha pensado nesta...
escaleta tantas horas, um editor..".Então, é tipo pôr preço a estas coisas.
Ter uma margem correta que te permita experimentar outras coisas para errar, acho que é um caminho fixe.
Ou pelo menos, por agora, estou a divertir-me imenso.
Foi superfixe no fim criar branded content para um meio como o Playground, porque no fim as marcas perceberam que também nos dirigíamos a uma audiência jovem, e foi tipo: "Porquê é que não trabalham connosco sendo a nossa agência de publicidade e criando o conteúdo para os próprios perfis das marcas?" Para além do que tu me podes fazer no meio de comunicação, atua como agência criativa para a própria marca.
No Playground fazíamos trailers à nossa maneira para a Netflix.
Davam-te os brutos e tu criavas o teu próprio guião, falavas com a linguagem com que normalmente falavas ao público do Playground e isso era uma campanha de branded content.
Com a tua música, o teu guião, a tua tipografia, o teu logótipo.
Isso era pura fantasia.E depois digo-vos, das campanhas que recordo com mais carinho, foi uma da Beefeater em festivais de música.
Imaginem também a equipa, éramos todos vinte e poucos anos,de repente tínhamos de ir filmar a todos os festivais de música de Espanha.
Sim, era uma campanha publicitária em que tínhamos de pôr frente a frente perfis que não tivessem nada a ver em gostos musicais e metê-los no mesmo festival.
Lembro-me de estar num Primavera Sound com uma rapariga super fã de trap,um rapaz super indie e no fim era uma peça com guião, claro,em que tinham de conviver durante um dia e discutiam porque um queria ir ver o Yung Beef e o outro queria ir ver os Arctic Monkeys.
Foi mesmo fixe.E pá, que uma marca como a Beefeater também se arriscasse a ter esse conteúdo nas suas plataformas digitais, a verdade é que era um orgulho a confiança das marcas em nós.
Claro, em 2018 aconteceu uma coisa, que foi a famosa mudança do algoritmo da Meta, em que de repente todos estávamos habituados a ver os conteúdos no feed do Facebook de forma cronológica, e no Playground,na verdade, a cada 15 minutos saía um conteúdo, um artigo,um vídeo, o que fosse,e de repente esse algoritmo mudou e, no fim, os meios tinham de pagar para que os seus conteúdos fossem vistos.
Imaginem, claro, o desastre que foi a nível de modelo de negócio, quando passas de não ter de investir nada em "tenho de investir para que os meus conteúdos sejam vistos". Claro, aquilo foi tudo por água abaixo.
Então, a nível de aprendizagens digitais também, na hora de produzir sobretudo vídeos para a Internet.
Se calhar no meio anterior tínhamos essa cultura de que quando íamos a um festival de música gravar, levávamos um cameraman, um técnico de som,às vezes até um gaffer para filmar uma peça e depois os editores...
E a evolução foi perceber, olha, se calhar esta linguagem digital não precisa de tanta equipa profissional, mas sim que com um telemóvel e uma boa luz te podes safar e criar uma peça que até editas mais depressa.
Então, foi essa evolução de, olha, vamos deixar de lado o lado profissional a nível visual. Achamos que com o telemóvel podemos fazer este conteúdo igualmente entretido e divertido, e assim tem sido.
Quando se trabalha em digital, é estar sempre aberto a esta mudança e não ter medo.
E digo sempre, acho que o mais importante quando se trabalha em digital é ouvir ou reparar no que está a fazer a malta mais jovem.
Mostra-me os teus referentes, o que estás a ver, o que te está a aparecer no TikTok,o que estás a consumir, porque é que não tens fotos no Instagram, o teu feed está vazio,só partilhas coisas com melhores amigos. Então é estar sempre atento a isso.
