Transcrição
O TOPO NÃO TEM DE SER SOLITÁRIO
"Como não se sentir sozinha como diretora executiva?" Esta pergunta é muito interessante e a resposta é difícil.
Eu própria tive que aprender primeiro quais eram os caminhos.
No início, também tive de lidar com a transição de fazer parte de uma equipa para assumir uma posição de liderança,onde era a única pessoa à frente e não tinha nenhum colega ao meu lado com quem pudesse partilhar diretamente ideias ou responsabilidades.
A minha experiência ensinou-me que existem várias vias.
Uma via para mim, boa, foi criar redes de apoio e vínculos,encontrar pessoas num nível semelhante com quem pudesse trocar ideias, falar sobre temas, dificuldades, desafios,e assim poder trabalhar juntos nas soluções.
Depois, também me ajuda sempre voltar à família.
Para mim, a família e o companheiro são muito importantes.feedback e a força necessária para seguir em frente,retomar o meu lugar e tomar decisões por conta própria ou simplesmente gerir a equipa e a organização.
O que também recomendo ou treinador.Vejo isto como fundamental porque é necessário falar e partilhar coisas,experiências e histórias com alguém.
E partilhar e conversar é sempre melhor do que fazer tudo sozinho.
E isso mudou tudo para mim.Há cerca de cinco anos comecei a trabalhar especializado em negócios para falar sobre algumas situações e preparar-me para elas, para também construir uma base emocional.
E o último ponto que também considero fundamental é o desenvolvimento da personalidade.
Está sempre a pergunta: "Como lido com as coisas?" Se vou com a mentalidade de: "estou mais sozinha que nunca no topo",então sentirei isso e, além disso, também estarei sozinha lá em cima.
Se vou com a mentalidade de que sou a chefe e talvez esteja no topo,mas ainda faço parte da equipa, ajo através dela e tenho muitas pessoas em quem posso confiar, isso faz uma grande diferença.
E segundo a minha experiência, a perspetiva com que se vê as coisas pode mudar tudo.
Também fizeste uma comparação com o facto de ser pais e como os conflitos em casa se relacionam com os conflitos, por exemplo, no trabalho.
Sim, exatamente.Algo que ajuda sempre quando se está nessas situações de conflito,porque aí é especialmente difícil, quando se tem a sensação de:"OK, tenho que passar por isto sozinha e aguentar sozinha".
Eu relativizo sempre as coisas e penso na minha casa e nos assuntos que aparecem na minha vida por causa da família ou dos filhos no dia a dia.Às vezes são maiores, outras vezes são mais pequenos, mas são sempre importantes.
E para mim, isso sempre foi uma ferramenta para pôr as coisas em perspetiva,relativizar um pouco e simplesmente não levar a vida demasiado a sério,assim como a vida profissional.
A experiência mostra que não se pode agradar a toda a gente.
Isso também não deve ser o objetivo, e com o tempo aprende-se a levar as coisas com mais calma.
Mas tudo isso aprende-se com a experiência.
