Transcrição
Sucesso através da parceria
Aqui temos uma clara referência à minha vida.''Como é que as relações estreitas com clientes te abriram as portas para o Mundial de 2006?'' Sim, isso foi um grande acontecimento na minha vida profissional.
Estive a trabalhar de 2000 até 2022 na área de autocarros da Daimler.
Bem, um pouco antes de 2006 já tínhamos tido a oportunidade de fornecer os autocarros da seleção nos campeonatos que se jogaram na Alemanha.
Fabricar os autocarros da Mercedes era algo muito interessante para nós.
Infelizmente, havia outro patrocinador principal, a Hyundai,que tinha os direitos de transporte e para o qual, claramente,éramos um incómodo quando viam um veículo com a estrela pelas ruas da Alemanha,onde viajavam equipas de futebol mundialmente conhecidas.
Praticamente estávamos fora do negócio como corporação,e então entrei em contacto com um dos nossos clientes de Munique, que me conhecia muito bem e com quem... Bem, ambos desenvolvemos uma ideia com a qual conseguimos,apesar de tudo, voltar a entrar na FIFA pela porta de trás.
Pudemos introduzir os autocarros da nossa segunda marca, Setra,mostrando a ideia de que não íamos fornecer apenas autocarros,mas que também submetíamos os nossos motoristas a uma formação intensiva em segurança,que instalávamos elementos de segurança nos autocarros que não eram os de série,que utilizávamos motores ecológicos nesses veículos,e que garantíamos várias opções para que, se algum autocarro se avariasse com os jogadores dentro, pudesse ser substituído rapidamente,permitindo à equipa chegar ao destino.
Tudo isso convenceu a FIFA.Disseram-nos: ''Perfeito, nesse caso, a corporação central Daimler pode encarregar-se do transporte das equipas''.
E, nesse momento, vendemos 32 veículos a um consórcio de três clientes na Alemanha que tinham gerido,com sucesso, um Mundial de futebol.
Tenho uma muito boa relação com o tema futebol.Antes disseste que tinhas uma relação pessoal com ele,também no privado?
Não, só jogava futebol em criança, mas é verdade que, através do trabalho,sempre estive em contacto com o futebol,com as equipas,com as empresas que geriam o transporte dos clubes na Bundesliga,e com as quais depois fizemos os autocarros que levavam essas equipas.
Aprendeste alguma coisa de futebol que te tenha sido útil,pessoalmente ou para a tua carreira?
A única coisa que aprendi do futebol é que se tornou um negócio muito profissional,e que então me deu boas oportunidades para fazer negócios adicionais.
Isso era sempre importante para mim, encontrar oportunidades para poder vender produtos, que talvez não… Essas oportunidades que não se veem à primeira vista.
E a questão é que essas oportunidades surgiam quase sempre de conversas com os clientes,com os empresários de autocarros,que me contavam o que queriam fazer, no sentido de onde...
viam uma boa oportunidade para continuar a crescer.
E nós tentávamos apoiar esses empresários no seu caminho e impulsionar, juntos, o sucesso da empresa, do cliente.
Sem dúvida, isso fortalece a tua própria marca,o facto de trabalhar com parceiros muito fortes.
Sim, tive sorte, sem dúvida, em poder trabalhar com um líder do mercado, a Mercedes-Benz.
Mas com a segunda marca, Setra,tínhamos outro produto no nosso portefólio com o qual,sobretudo entre os clientes de autocarros turísticos e empresários com autocarros de viagem,podíamos ganhar muitos pontos, porque pertence a uma classe mais luxuosa de autocarros turísticos.
A Setra está até acima da Mercedes-Benz, em autocarros de viagem.
No início, seguramente esse desafio vos pareceria...
uma oportunidade surrealista, não?O Mundial da FIFA de 2006? Sim, totalmente.
Foi surrealista porque, então, eu não era responsável pela Mercedes,mas sim pela Setra.
E ao meu colega, o responsável pela Mercedes, rejeitaram a proposta e voltou a dizer: ''Não temos opção de colocar aqui os nossos produtos''.
E o bom para mim foi que, no início,eu não estava de todo envolvido nesse tema,mas graças ao contacto com clientes, especialmente o de Munique,encontrei de facto uma via que me podia dar a oportunidade de levar para a rua os produtos da nossa casa, afinal de contas,através do Mundial de futebol.
E isso conseguimos com êxito.
