Transcrição
Agora sim, é um avião. Além disso, diria que isto é um Boeing e diria que é certamente um 737. Enfim, isso é para fanáticos.
Como é que passaste de inimigo público número 1 a ganhar as tuas asas com a equipa?
Esta é boa.Bem, não acho que fosse o inimigo público número 1, mas sim que havia um ponto de desconfiança.
Entrei na Vueling em 2016 porque fui contratado pela diretora financeira, naquela altura, Sonia Jerez, para assumir o controlo financeiro de Operações. Basicamente porque havia alguns desvios grandes dentro do departamento de Operações e não estava claro porquê.
Quando falamos de grandes desvios, estamos a falar de desvios de milhões de euros num mês.
Claro, tu entras e és a pessoa das finanças que se senta em Operações.
Entre aspas, também conhecido como "o espião".Romper isso tem os seus elementos.
Afinal o que as pessoas viram desde o início foi o tipo do terceiro andar,que chegou para ver o que está a acontecer e que nos vai deixar em evidência perante toda a gente, quando chegar o fecho de contas mensal, certo?
E tirar esse rótulo é complicado.Para mim, o mais importante volta a ser uma questão de conseguir gerar confiança,mas aqui é uma questão de confiança com os diferentes diretores e gerentes de Operações, no sentido de: tu não estás aqui para expor os defeitos quando há um problema, mas sim para ajudar a resolver os problemas.
Ajudá-los a identificar os problemas, compreender a razão desses problemas e quais são, e colocar ferramentas que possam ajudar a resolver o problema.
Demonstrar que o objetivo é colaborar e não auditar.
E quando se cria essa situação de confiança, no final o que acontece é que as pessoas se abrem e tu tens um livro aberto.
Passas a ter acesso a mais informações, o que permite gerir melhor as coisas.
Se tivermos mais informações, podemos avançar nas coisas,ser mais proativo, menos reativo e permite mitigar potenciais problemas antes de surgirem.
O que se deve procurar é como podemos colaborar e impulsionar para que as coisas melhorem e não se coloquem obstáculos aos outros.
Ou seja, o que temos de fazer aqui é: como posso ajudar-te?
Como é que se conquista todas as equipas que não são a tua equipa?
Ou seja, tratando-os como se fossem a tua equipa.Especialmente se for uma posição um pouco transversal,haverá equipas muito diferentes.
Há sempre atritos entre as diferentes equipas de diferentes origens ou de natureza diferente. É normal.
Ou seja, entre uma equipa comercial e uma equipa financeira, entre uma equipa de Operações e uma equipa de Marketing.
As pessoas chocam-se e são como pedras.Com o tempo, esse choque vai polindo-as e acaba por surgir essa pedra que parece um espelho, que é tão bonita.
No final, isto é, as formas de trabalhar que têm impacto.
Aqui o que se deve procurar é como refinar essas ideias e essa forma de gerir o dia a dia.
Mas, para isso, é necessário criar um ambiente inicial de confiança no qual as pessoas abrem-se e permitem ver tanto o que há de bom como o que há de mau.
Tanto o que controlam e podem ensinar numa apresentação como o que não controlam,nem gostariam que todos soubessem, não é?
Os momentos em que eles fizeram asneira, talvez por uma má decisão,pois a empresa sofreu uma perda económica e isso acontece em muitas empresas,especialmente as que são da cultura do sul da Europa.
Há muito disso de "eu tento esconder os meus erros ao máximo possível".
Acho que é mais uma questão cultural dos próprios países do que das empresas em si, mas é transferido.
Então, quando se consegue criar um ambiente de confiança porque eles veem que é alguém que procura genuinamente ajudar a fazerem melhor o seu trabalho,conseguimos ver o lado bom e o lado mau e começamos a entender o que não funciona e propor soluções que tornem o que é bom ainda melhor e o que é mau menos mau.
A pior coisa que se pode fazer com essa informação é divulgá-la publicamente.
Então, com essa informação, temos de perceber que parte temos de comunicar à equipa financeira e que parte dessa informação pode-se gerir sozinho com o departamento de operações.
No final, é também uma aprendizagem para as relações humanas em geral.
Bem, mas não há tanta diferença entre, digamos,as relações de trabalho e as demais relações.
Nas relações com as pessoas,tu tens o poder de dizer "bem, não quero ver mais este e vou-me embora".
No trabalho não acontece isto. Essa é a diferença.
Mas, ao tratá-los, trata os outros como gostarias que te tratassem a ti.
Perguntar genuinamente "como estás?" Esse ponto que demonstra que te preocupas e que as pessoas agradecem muito.
Ou seja, a atitude que tens todos os dias, desde que te levantas até que vais dormir.
Muda a vida de muitas pessoas.Este ponto de sermos um pouco mais humanos, muda as coisas.
