Transcrição
EMPREENDEDORISMO NA CARREIRA EM VEZ DE A PLANEAR O que é isto?''Deve-se planear a carreira ou é melhor manter-se aberto a possíveis voltas inesperadas?'' Sim, outra pergunta muito interessante.
Eu já deixei de trabalhar.Estou naquela idade em que te chamam "rentista" ou "reformado".
Já deixei para trás a minha carreira profissional. E quando olho para o passado,tenho de admitir que esses caminhos que percorri eram impossíveis de planear.
Tomei decisões que, em parte, iam contra a minha intuição,ou que surgiram, em algum momento, a partir de alguma preocupação interna e, muitas vezes, decidi mergulhar em certos assuntos que me fizeram chegar mais longe.
E então comecei a estudar administração de empresas,gestão internacional, em Londres e em Reutlingen.
Fiz estágios em empresas que fabricavam autocarros,outros numa empresa que produzia artigos desportivos, a New Balance,em Inglaterra.
E graças a esse estágio com a New Balance em Inglaterra,logo após terminar,entrei numa fornecedora de artigos desportivos na Alemanha.
Aí trabalhei em exportação,depressa me fizeram responsável por uma pequena equipa,e também por muitos mercados externos.
E estive a viajar durante três anos, intensamente, por todo o mundo.
Então era um jovem de 25 anos, mas já tinha uma relação com a minha atual mulher, e em algum momento queríamos formar uma família.
E quando já era oficial que o nosso filho ia nascer,a minha mulher pensou: ''Não é muito conveniente que todos os anos passe seis semanas na Ásia.
Gostava que estivesses mais em casa''.E essa foi a faísca inicial para dizer: ''Agora tenho de procurar outro âmbito profissional que não implique, como na exportação,viajar o tempo todo".
E dessa forma cheguei, através de um anúncio,até um fabricante de autocarros, a Neoplan,que conhecia de um estágio. E ali tornei-me, com 28 anos,diretor-geral da filial nacional da Áustria.
Por um lado, um setor tranquilo. E por outro, claro,um trabalho emocionante, e muitíssima mais responsabilidade,empresarial, relativamente menos responsabilidade sobre o pessoal,porque a equipa era muito pequena, mas tinha de tomar muitas decisões.
E estive três anos ali na Áustria,e depois, quando mudou a direção,voltei à Alemanha no ano de 91.
E ali assumi um cargo de direção no departamento de vendas da Alemanha,enquanto, à distância, continuava a gerir o da Áustria.
E, por isso, a Kompass foi tão importante para mim, porque...
nessa empresa, em que estive dos 28 até aos 35,tinha de aprender que é importante ter perspetiva de futuro na empresa,ou que o próprio empresário tenha perspetiva de futuro.
Neste caso, infelizmente, houve um falecimento trágico.
O diretor-geral, que era membro da família,faleceu num acidente e, para mim, foi o motivo para dizer: ''Não vejo perspetiva de futuro, não creio que esta empresa sobreviva.
Agora tenho de procurar para onde ir".E depois de trabalhar em duas empresas médias,que eram empresas familiares,entrei em contacto pela primeira vez com a corporação em 95,e foi com a Volvo Trucks, de Gotemburgo. E ali, na Alemanha,trabalhei na direção de vendas durante cinco anos.
Superestimulante.Os suecos impulsionaram-me muito, também pelos seus programas de gestão,já que é sempre importante continuar a formar-se.
E depois, em determinado momento, surgiu um contacto com a sede da Daimler,e mudei-me para lá no ano 2000.
Primeiro estive a trabalhar na Alemanha para a Setra, depois,sete anos mais tarde, houve outra mudança.
E isso é algo que, ao olhar para trás, posso dizer: ''A verdade é que nunca aguentei muito num trabalho, no máximo cinco ou sete anos''.
Depois instalava-se a rotina e já tinha vontade de voltar a fazer algo novo. Precisava de um novo desafio.
Durante o meu último emprego na Daimler, surgiu esse desafio pela transformação tecnológica do sistema de propulsão dos autocarros,desde os veículos a gasóleo até aos veículos elétricos.
Essa mudança foi tão fundamental, que realmente foi um novo desafio para mim, e para todo o meu ambiente de trabalho.
Foi um período muito emocionante.
