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Transcrição

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Um peluche.

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Como passou de uma equipa de 2 para 75 pessoas em plena pandemia?

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Sem ter de abrir a caixa? Ótima pergunta,porque foi uma experiência profissional que eu não esperava ter. Passei de fazer a gestão de uma equipa relativamente pequena numa indústria que está bastante lenta e faltava-me um pouco esse ponto de continuar a crescer profissionalmente a partir do do ponto de vista do conhecimento.

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E também é verdade que, em termos salariais, estava um pouco estagnado,no último ano e meio a dois anos.

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E isso fez com que eu ouvisse uma das minhas melhores amigas do mestrado, que estava precisamente numa startup, que não era muito conhecida na altura.

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Estamos a falar do ano 2019, da Glovo, que agora é conhecida por todo mundo.

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Fiz algumas entrevistas, a primeira com Recursos Humanos, mas não me convenceu.

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Fiz a segunda com quem era então o diretor-geral da Espanha.e Portugal, com o Diego, e fiquei impressionado com o que ele me contou.

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Diego é estratégia, aqui é expansão:temos que expandir a Glovo pela Espanha.

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Disse que concordava, mas qual é a estratégia?E houve uma frase que guardo comigo porque me cativou muito, que é:Bom, tu és o chefe de estratégia por isso tens de ser tu a responder.

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Isto para mim foi um voto de confiança e, ao mesmo tempo, um grande desafio.

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A parte interessante foi: primeiro, entender o que estavam a fazer.

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Segundo, como estavam a fazê-lo.Para isso, tive que ir ao departamento de operações, que naquela altura, eram eles os responsáveis pela expansão.

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E perguntei: "Bem, em expansão, em quantas cidades estamos em média a chegar por mês?" Ao que respondem: "A cada mês, três, quatro,..." E aí disse, se já conseguiram fazer quatro cidades por semana e funcionou. Nós vamos montar um plano para fazer quatro cidades de lançamento,cada semana e vamos dimensionar uma equipa para que possa fazer isso.

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Quando voltei para a equipa de operações que estava a fazer esta expansão e comentei o plano,chamaram-me de louco."Isto não é possível." E depois fui falar com o departamento financeiro, e de facto aí havia uma certa preocupação.

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A expansão para outros mercados, quando foi feita de forma muito acelerada, tinha custado muito dinheiro à empresa.

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Ou seja, tinha um problema que era o facto de não ser autossustentável e aí houve muita conversa com o diretor financeiro da Glovo, o Edu, e propus-lhe: "Este é o meu plano de expansão.

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Estas são as razões pelas quais vamos expandir para toda esta lista de cidades.

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E sei que isto te preocupa, por isso tens o meu compromisso de que vamos fazer uma expansão autossustentável. De tal forma que, se a empresa em algum momento,tenha algum problema e isso possa implicar parar esta expansão, a única coisa que temos de fazer é recolocar as pessoas,mas tudo o que abrimos não vai consumir recursos.

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E essa conversa foi muito interessante porque a frase que o Edu disse naquela conversa foi: Em ti, eu acredito e nessas condições podes fazer o que quiseres. E o que aconteceu foi passar Espanha e Portugal de 100 para 460 localizações em dois anos.

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Ter uma equipa de expansão que, quando cheguei, era composta por uma pessoa, para uma equipa de 75 profissionais.

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E depois, como convencer empresas que o teu produto é o mais adequado para elas?

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Para que te deixem experimentar e para que te deixem iterar e evoluir?

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Isto também é bastante interessante, a forma de convencer.

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Dizer: "Bem, se não acredita nisto...Deixe-nos mostrar e provar que é possível.

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E, se não conseguirmos, não terás nenhum custo.

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Nós cobrimos." Eu diria que, naquela altura, eu não tinha reputação de poder fazer isso,foi sobretudo, demonstrar que tinha uma visão clara das coisas.

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Quando eu entrei, a primeira coisa que fiz foi mergulhar de cabeça e ser eu mesmo a explorar os números. Isso também ajuda muito.

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Quando se demonstra esta proatividade desde o início,muda completamente o paradigma do que pensas sobre essa pessoa, e se depois demonstras que as tuas ideias são adequadas em outras coisas que não têm nada a ver,Ou seja, eu não demonstrei que sabia fazer uma expansão, mas sim que sabia "ler" os números, que tinha boas ideias,que era capaz de ajudar a melhorar outros colegas meus,ao diretor de Operações, ao diretor comercial, nas negociações.

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Que também conseguia ter uma boa relação, com os diferentes stakeholders que tínhamos.

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Isto acaba por criar um ambiente de confiança.E, além disso, se o que dizes que vai acontecer, realmente acontece.

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Se o compromisso que tinhas anteriormente, tanto em termos de quais são os resultados que vamos obter ou quais são os desvios e porquê,e isso fizer sentido e as pessoas vêem que isso acontece e que estás em controlo do que fazes...

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É muito mais fácil deixarem-te fazer coisas cada vez maiores,cada vez mais difícies e cada vez mais desafiantes. Porque na verdade, acaba por não ter tanto risco se soubermos que a pessoa terá tudo sob controlo. E isso muda completamente o paradigma.