Transcrição
Inovar apesar de tudo
Auscultar o mercado.Como se pode inovar num sistema resistente à mudança?
Bem, acho que é uma ótima pergunta.No fundo, o nosso sistema de saúde é bastante insustentável e é preciso estar um passo à frente do que aí vem, mas também compreender o que precisam.
E acho que a nossa equipa tem sido uma equipa que esteve,ou tentou estar, sempre a compreender os profissionais a desenvolver o que precisavam em cada momento,a ser muito corajosa e, claro, a fazê-lo com base na evidência clínica e com tudo o que é a marcação CE e a certificação de que este tipo de soluções precisa.
Podes contar-nos qual é a finalidade da Vitalera?
A finalidade da Vitalera é ligar tudo o que acontece ao paciente,em casa ou onde quer que esteja, ao seu centro de saúde e à sua seguradora.
Há muitos dados que, quando eu trabalhava como investigadora no hospital,via que se perdiam e não percebia como esses pacientes que eu acompanhava iam primeiro às urgências em vez de consultarem o seu especialista.
Ou como podia que uma queda de tensão,que na verdade era um sintoma muito persistente no tempo, não fosse diagnosticada como a doença que estava na origem.
E todas essas frustrações de ver que esses pacientes não tinham o acompanhamento de que precisavam fizeram nascer a Vitalera e continuam a fazê-la crescer até hoje.
E como o produto evoluiu?Podes explicar-nos em que consiste exatamente e como foi esse caminho até chegarem onde estão agora?
O produto evoluiu imenso:passou de ser simplesmente uma plataforma de acompanhamento para se tornar num ecossistema, onde até sensores e empresas líderes em sensores se podem ligar ao nosso ecossistema e fornecer os dados que recolhemos em casa do paciente,como, por exemplo, tensiómetros, wearables e outros tipos de sensores integrados no histórico clínico.
Então, essa evolução acho que se deve a termos identificado necessidades,a termos conseguido antecipar-nos e também a termos dado ao sistema ferramentas que permitissem notificar quando algo não estava a correr bem com o paciente.
Como foi a implementação do vosso software em diferentes mercados?
Como foi essa entrada nos Estados Unidos,em Espanha e noutros mercados?
Sim, acho que essa entrada foi quase natural.Começámos de forma muito nichada, porque muitos hospitais,centros médicos e seguradoras nos pediam para trabalhar com eles.
Mas a diferença entre nós, como país, e os Estados Unidos,onde a saúde é privada, é muito mais ineficiente,porque há muita gente que não consegue aceder a cuidados de qualidade.
Isso levou-nos a entrar e a colaborar com outras empresas, como Harvard Medical School e o Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston,o que nos fez perceber que havia todo um universo de possibilidades.
E também, com parceiros muito estratégicos de empresas locais que realmente querem ter produtos de qualidade,europeus e certificados.
E essa tem sido também a forma de crescer e de continuarmos a crescer.
Qual é a importância do acompanhamento remoto da saúde dos pacientes?
Aproximadamente 54% da população adulta tem uma doença que precisa de acompanhamento. Uma doença como a hipertensão,uma doença como a insuficiência cardíaca ou a DPOC,e a população está a envelhecer.
Não está a ficar mais jovem.Então, todo este tipo de patologias gera um custo acrescido para o sistema de saúde, porque, no fim, é quando o paciente já está muito mal que vai ao especialista ou acaba nas urgências,quando deveria ser precisamente ao contrário.
Estás mal, começo a observar através desses sensores,desses dados que me envias,que há algo que não está bem.
E é essa a mudança que a Vitalera traz: antecipar-se a essas recaídas.
Já demonstrámos, com muitos centros hospitalares e até comunidades que reduzimos em 40% os internamentos, em 33% as idas às urgências.
E tudo isso porque o dado que fornecemos no alerta é clínico e dá uma informação muito útil ao profissional.
