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Transcrição

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Vamos ver o que há por aqui.O M do Metro.Aos 24 anos, teve de liderar uma equipa de 230 pessoas.

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Como conquistou a confiança, sendo o membro mais jovem?

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O mais jovem e o mais inexperiente.Porque eu estava a sair da universidade. Entrei neste mundo,deram-me a responsabilidade como chefe de produção em funções em três obras diferentes,três estações de metro diferentes. Em cada uma delas há um responsável diferente que poderia ser o teu pai, porque estamos a falar de pessoas com muita experiência, mais ou menos 50 anos, faixa etária.

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Claro, tu és um novato de 24 anos, tu sabes. Quer dizer, eu poderia muito bem ser filho dele.

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E acontece que eu era o chefe dele.Tecnicamente falando.

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Mas eles tinham o conhecimento de como as coisas funcionavam.

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Podes tentar afirmar-te lá, mas vais direto ao fracasso.

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Sabes?E aqui, um ponto importante é como se ganha a confiança,E voltamos novamente à questão de como conquistar essa confiança e como se ganha a confiança das pessoas, e tem de se que encontrar uma maneira.

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A minha maneira foi: "Não posso competir com estas pessoas, nem consigo dizer-lhes como fazer as coisas,mas há coisas que os encarregados e os capatazes não são capazes de fazer ou ver porque não têm a formação adequada".

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E aí, por exemplo, há uma anedota bastante interessante sobre a linha nove que é: estávamos a construir uma estação de metro,têm que imaginar a obra pela metade.

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Estávamos a construir o átrio da estação e uma coisa chamada telas, que são as paredes, que são construídas a partir da superfície quando se começa e que quando se escava normalmente já estão lá.

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É o que deveria acontecer.Bem, faltava uma.Grande problema, porque isso significa que, até isto estar executado,não podemos continuar com outras estapas dentro da obra e, portanto, há um atraso.

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Então, o que eu fiz ali foi pedir para me trazerem as plantas.

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Touxeram-me as plantas do que, em teoria, deveria estar construído ali.

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Eu fiz um esboço e digo sim, sim, sim, sim,vamos fazer isto, Edu. Tudo bem, ok.

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Pedimos e construímos.Havia o risco de eu estar errado e de termos que desfazer tudo o que foi feito,o que teria causado um atraso ainda maior e prejuízo económico.

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Mas enfim, eles vieram, montaram, riscaram, cimentaram,continuamos a fazer o trabalho e enviamos, obviamente, o esboço com tudo para o departamento técnico.

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Após um mês e meio, quando já estava pronto,quando já estávamos a colocar as paredes à frente do betão,recebi uma mensagem da Rosário, a rapariga que estava no Serviço Técnico:"Estivemos a ver o esboço que nos enviaste e é exagerado.

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Poderia ser otimizado se alterarmos isto, isto e isto".

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Disse à Rosário, "não vamos otimizar porque está cimentado,há três semanas" E pergunta: "E com que programa calculaste isso?" Não tinha calculado com um programa, usei a lógica.

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Se a parede ao lado e a parede ao lado forem assim,a esta vou colocar mais aço,e mais reforço, portanto, vai aguentar.

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Disse: "Ah, está bem, então fazemos assim". Confirmado.

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Assumir riscos controlados dentro da área de conhecimento também libera e demonstra, em primeiro lugar, confiança comigo mesmo.

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Dois, capacidade e competências técnicas.E isto traz para a equipa que eles não têm.

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É assim que também se ganha a confiança e o respeito das pessoas.

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O que acontece é que é preciso tomar decisões ou correr riscos calculados.

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Também não nos vamos tornar kamikazes e levar isto ao pé da letra.

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Esta inquietação para que as coisas continuem fluindo e evoluindo,tentando minimizar a paralisia, também é algo que as pessoas valorizam muito.

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Porque o normal é que as coisas parem quando há um problema e quando somos capazes de desbloquear isso com pequenas decisões,isto também muda a percepção das pessoas e faz com que elas te valorizem e valorizem o trabalho das outras pessoas também, porque evoluímos mais rápido.

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E assim consegui o respeito dos responsáveis e dos capatazes da linha nove.