Transcrição
Bem, eu começo sempre pelo globo, não é?Posso começar por onde quiser.
Ufa, tudo bem.Então, quando é que se fala a mesma língua?
Ou, se é importante falar a mesma língua quando a equipa tem um background multicultural ou adaptar-se a cada contexto?
Aqui, acho que tenho algo a dizer no sentido de que, bem, tive a sorte de trabalhar em cinco continentes diferentes, além de viajar bastante em trabalho e liderar equipas multiculturais em todo o mundo.
E é verdade que é um grande desafio.E se a isso acrescentarmos o facto de estar a trabalhar remotamente,a complexidade multiplica-se.
Há uma coisa que é importante e que eu digo sempre: as ideias podem ser debatidas e as percepções, muito mais.
Mas o que não se pode discutir são os princípios.
Então, como trabalho sempre com equipas multiculturais, para mim o mais importante é, em primeiro lugar, garantir uma série de princípios básicos sobre os quais estejamos todos de acordo, nos quais todos acreditemos firmemente.
E depois, a partir daí, tudo flui.Porque, no final de contas, como eu disse, podes discutir uma ideia,mas não contra um princípio que tenha sido previamente acordado.
E é por isso que, quando incluo pessoas novas e diversas nas minhas equipas,é sempre importante, mesmo na fase da entrevista,deixar bem claro quais são os princípios, quais são os não negociáveis.
Por exemplo, uma atitude negativa não é negociável.
Presumir má intenção por parte do colega não é negociável.
Então é sempre importante estabelecer estas bases comuns, por assim dizer,que no final são universais.
Não importa de onde vens, qual é a tua formação,vais ter de acreditar nelas e vais ter que te comportar de acordo com as mesmas.
E acho que é a maneira mais fácil de garantir que, no final, todos falem a mesma língua, porque eu faço a analogia.
Se vires, por exemplo, a Declaração Universal dos Direitos Humanos,tudo se aplica a toda a gente.
Não importa se és dos Estados Unidos, do Peru ou da Austrália.
No final, todos têm de se reger pelas mesmas regras e, no final,uma empresa não deixa de ser diferente quando se tem essa camada de princípios que se aplica a todos os colaboradores.
Tenho histórias para dar e vender, por exemplo agora na Microsoft tenho uma história de um colaborador que está na Finlândia e outro em Portugal.
E que são como a noite e o dia.O finlandês chega sempre a todas as reuniões três minutos antes,três, nem mais, nem menos.
O de Portugal chega sempre com dois ou três minutos de atraso.
E para o finlandês, isso é uma falta de respeito.
Por exemplo, para os portugueses, esse é o seu modus operandi, é uma questão cultural.
Mas, ao mesmo tempo, por exemplo, é como se resolve os conflitos.
Há pessoas que são mais confrontacionais, por exemplo alguns israelitas ou pessoas que evitam mais o conflito, quase todas as culturas sul-americanas,depende, evidentemente.
Mas também é importante perceber o modo como cada um pensa e, como eu disse,no final, voltar sempre aos princípios, que é o que tem de estar acima de tudo.
