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Transcrição

00:08

Bem, eu começo sempre pelo globo, não é?Posso começar por onde quiser.

00:15

Ufa, tudo bem.Então, quando é que se fala a mesma língua?

00:19

Ou, se é importante falar a mesma língua quando a equipa tem um background multicultural ou adaptar-se a cada contexto?

00:26

Aqui, acho que tenho algo a dizer no sentido de que, bem, tive a sorte de trabalhar em cinco continentes diferentes, além de viajar bastante em trabalho e liderar equipas multiculturais em todo o mundo.

00:41

E é verdade que é um grande desafio.E se a isso acrescentarmos o facto de estar a trabalhar remotamente,a complexidade multiplica-se.

00:50

Há uma coisa que é importante e que eu digo sempre: as ideias podem ser debatidas e as percepções, muito mais.

00:59

Mas o que não se pode discutir são os princípios.

01:01

Então, como trabalho sempre com equipas multiculturais, para mim o mais importante é, em primeiro lugar, garantir uma série de princípios básicos sobre os quais estejamos todos de acordo, nos quais todos acreditemos firmemente.

01:14

E depois, a partir daí, tudo flui.Porque, no final de contas, como eu disse, podes discutir uma ideia,mas não contra um princípio que tenha sido previamente acordado.

01:23

E é por isso que, quando incluo pessoas novas e diversas nas minhas equipas,é sempre importante, mesmo na fase da entrevista,deixar bem claro quais são os princípios, quais são os não negociáveis.

01:35

Por exemplo, uma atitude negativa não é negociável.

01:38

Presumir má intenção por parte do colega não é negociável.

01:42

Então é sempre importante estabelecer estas bases comuns, por assim dizer,que no final são universais.

01:49

Não importa de onde vens, qual é a tua formação,vais ter de acreditar nelas e vais ter que te comportar de acordo com as mesmas.

01:56

E acho que é a maneira mais fácil de garantir que, no final, todos falem a mesma língua, porque eu faço a analogia.

02:01

Se vires, por exemplo, a Declaração Universal dos Direitos Humanos,tudo se aplica a toda a gente.

02:07

Não importa se és dos Estados Unidos, do Peru ou da Austrália.

02:12

No final, todos têm de se reger pelas mesmas regras e, no final,uma empresa não deixa de ser diferente quando se tem essa camada de princípios que se aplica a todos os colaboradores.

02:22

Tenho histórias para dar e vender, por exemplo agora na Microsoft tenho uma história de um colaborador que está na Finlândia e outro em Portugal.

02:30

E que são como a noite e o dia.O finlandês chega sempre a todas as reuniões três minutos antes,três, nem mais, nem menos.

02:37

O de Portugal chega sempre com dois ou três minutos de atraso.

02:41

E para o finlandês, isso é uma falta de respeito.

02:44

Por exemplo, para os portugueses, esse é o seu modus operandi, é uma questão cultural.

02:49

Mas, ao mesmo tempo, por exemplo, é como se resolve os conflitos.

02:53

Há pessoas que são mais confrontacionais, por exemplo alguns israelitas ou pessoas que evitam mais o conflito, quase todas as culturas sul-americanas,depende, evidentemente.

03:02

Mas também é importante perceber o modo como cada um pensa e, como eu disse,no final, voltar sempre aos princípios, que é o que tem de estar acima de tudo.