Transcrição
Ai, está ali.Aqui.Tcharam!
Não?Não saiu nada?Não tenho lá nada dentro.Ora bem, manter o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional enquanto se cresce na carreira é apenas um sonho?
Um sonho não é, mas é extremamente difícil.Eu tenho muitas histórias que podia contar.
O segundo capítulo do meu livro é todo sobre só o equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional.
Mas este tema é sempre quase que um cliché, não é?
Ai, o equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional.
Porque as pessoas quando ouvem falar destes temas pensam que a gente tem que estar equilibrados todos os dias da nossa vida, que todos os dias temos que nos dedicar um bocadinho a isto e um bocadinho àquilo e um bocadinho...
Não é isso.Eu, pelo menos, não conheço ninguém que consiga estar equilibrado todos os dias.
Se vocês conhecerem, digam-me porque é uma pessoa excepcional, sem dúvida.
O equilíbrio entre a vida pessoal e profissional é sobre...
estabelecermos prioridades não negociáveis na nossa vida.
É sobre percebermos o que é que é imperativo para nós próprios.
E essas prioridades muitas vezes vão variando ao longo do tempo.
Conto-vos, por exemplo, um exercício que eu faço todos os dias de manhã.
Eu faço o exercício das três caixinhas.Num podcast famoso que eu gravei, eu disse os três baldes.
Porque foi a tradução de inglês de buckets para português baldes.
Pronto, agora já digo caixinhas, está muito melhor.
E o que são estas três caixinhas?A primeira caixinha é o eu.
Eu sempre quis ser aeromoça, hospedeira de bordo, e sou pequenina,portanto não podia ser.
Mas as aeromoças, quando andam às hospedeiras de bordo, ou aos comissários,dizem nos aviões, em caso de despressurização das aeronaves, caem as máscaras de oxigénio, agarro uma, aplica-se sobre o nariz e a boca e respiro normalmente.
Então, qual é a primeira pessoa em quem nós temos que pôr as máscaras de oxigénio?
Em nós próprios.Em quem é que nós pomos as máscaras primeiro?
Nos filhos, no marido, até se calhar no comissário ou na comissária de bordo e só depois é que nos pomos em nós próprios.
Portanto, quando eu penso em três caixinhas, a primeira caixinha tem que ser o eu, porque nós temos que ser a pessoa mais importante.
E quando eu acordo de manhã e penso na caixinha do eu, penso e faço perguntas do tipo, como é que eu estou hoje?
Estou contente?Estou feliz?Ando-me a alimentar bem?
Ando a fazer exercício físico?Como é que eu estou?
A segunda caixinha é a caixinha da família e dos amigos, porque os amigos, quando são verdadeiros amigos, são a família que nós escolhemos.
E eu pergunto, como é que está a minha família?
Eu tenho passado tempo com a minha Maria Tereza, com a minha filha?
Tenho passado tempo com o meu marido?Temos tido tempo para brincar, para fazer coisas construtivas?
Tenho passado tempo com os meus amigos?Eles entendem as minhas escolhas de vida? Como é que estamos?
E pois o terceiro pilar é o pilar do trabalho e que normalmente as pessoas fazem perguntas só de um lado da equação, que é, eu estou numa empresa que me valoriza e que me dá um bom salário e onde eu consigo atingir os meus objetivos?
Eu estou numa empresa que entende?Mas que normalmente esquecemos-nos das perguntas do outro lado, que é: Eu estou a ser a melhor profissional que eu possa ser para ajudar a empresa a concretizar os seus objetivos?
Eu sou uma profissional que vive os valores da empresa e que a empresa se pode orgulhar de meter como colaboradora?
Porque isto é o deve e o haver, nós não podemos pedir sem dar.
E ao fazer a análise destes três caixinhas, destes three buckets, todos os dias de manhã, consigo perceber que há uns dias onde o caixinha do eu está mais coxinha e há dias onde a coxinha da família está mais ou um dia onde a caixinha do trabalho está mais.
Por exemplo, eu hoje estou aqui, venho passar o dia com vocês, e estou muito grata, estou muito feliz de estar aqui com vocês hoje, mas ao passar o dia aqui com vocês quer dizer que não fiz exercício físico e que estou longe da minha família hoje.
Portanto, estas duas caixinhas hoje estão um bocadinho mais curtas.
Mas eu já sabia isto a partir do momento em que eu aceitei vir cá.
Então eu já me programei para que nos outros dias desta semana,seja exatamente ao contrário.
Que eu me consiga dedicar mais tempo a mim e mais tempo à minha família para estarmos equilibrados. Porquê?
Porque eu acho que é muito difícil nós estarmos equilibrados em todas as três caixinhas todos os dias da nossa vida.
É sobre escolhas, é sobre prioridades.
