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Transcrição

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Enfrentar um grande desafio profissional

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"Qual foi o teu último grande desafio profissional?" Foi incrível.

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Foi o desafio da COVID-19, porque ocorreu numa época profissional um pouco especial.

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Comecei a trabalhar na minha companhia aérea em janeiro de 2020,ao fim de um mês e meio chegou a COVID-19.

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Estava na empresa há cerca de um mês e meio e fui obrigada,por segurança, a trabalhar remotamente.

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Não tive tempo de conhecer toda a equipa.Estávamos espalhados por toda a Itália. Tinha acabado de ganhar confiança com a pequena equipa de Milão. Isto significou trabalhar de casa sem...

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conhecer os outros.Ao fim de um mês e meio todos os aviões estavam em terra,por isso tivemos de pensar numa...

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Considerámos uma reestruturação da empresa, usar medidas governamentais,como os subsídios por suspensão laboral, entre outras, para seguir em frente.

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Também surgiu a ideia, embora não aplicada, de uma reestruturação com cortes, de revisão da estrutura organizativa.

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E, claramente, para uma companhia aérea que sempre correu muito bem, isto foi, também para o pessoal, sobretudo para o pessoal.

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Para mim foi um momento muito duro.Tive o apoio da direção, mas mesmo assim estava sozinha, evidentemente.

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Isso implicou não ter contacto com o pessoal e, quando o tinha, não trazia boas notícias.

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Tinha uma má relação com os sindicatos porque, claramente,se tinham mobilizado de forma bastante dura e interventiva, para evitar uma reestruturação empresarial.

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E, sobretudo, não sabíamos o que tinha acontecido, porque a COVID-19 foi algo imprevisível.

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Abríamos, fechávamos, abríamos e fechávamos.Foram dois anos muito difíceis, em que tínhamos de trabalhar em várias frentes.

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Tínhamos de trabalhar com a administração pública para garantir que o pessoal recebesse, de forma constante, os apoios económicos,para conseguir ter uma vida o mais normal possível.

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Trabalhei com os sindicatos e não foi fácil, porque as relações estavam tensas e as negociações eram complicadas para alcançar acordos que permitissem à empresa manter-se de pé e que permitissem aos trabalhadores manter o seu posto de trabalho.

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Tivemos de trabalhar com a nossa sede para evitar decisões drásticas e conseguir, de qualquer forma, manter um equilíbrio para uma possível recuperação futura, que acabou por acontecer.

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Tivemos de trabalhar com o pessoal para tentar reconstruir e manter uma relação de confiança que, claramente, se tinha deteriorado.

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A minha empresa sempre deu muita importância ao pessoal e continua a dar.

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Evidentemente, de um dia para o outro, ter de dizer: "Pode ser que tenhamos de fazer cortes", foi uma mensagem muito dura para pessoas que sempre valorizámos.

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E, de facto, ainda o fazemos, mas foi uma situação muito particular, em que a mensagem podia soar incoerente ou contraditória.

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Foi longo. Mais de dois anos. A verdade é que para mim foi difícil,a nível pessoal.

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Mas, digamos, pouco a pouco, passo a passo, conseguimos reconstruir a relação de confiança, que acredito ser fundamental.

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Os RH não têm apenas como função aplicar normas e cumprir procedimentos,mas também criar uma relação de confiança entre pessoal e direção.

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Foi um momento em que era difícil demonstrar isto com factos.

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Mas conseguimos, com muita vontade.A verdade é que também dei muito de mim,estando sempre disponível, até tarde, à noite e logo de manhã cedo,trabalhando aos fins de semana, porque a situação exigia.

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Creio que a relação com o pessoal se reconstruiu bastante bem, mas...

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com os representantes sindicais, com quem há uma relação dialética,como é normal, mas baseada na confiança e no respeito,foi algo que, após três ou quatro anos, evidentemente não se fez.

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Diria que esse foi o desafio profissional mais duro,também porque estava a lutar um pouco sozinha, já que sou a única RH em Itália,e a equipa de direção local está lá, os RH também, mas noutro país.

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Houve dificuldades, mas diria que foram superadas com creces.