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Transcrição

00:08

Se quiseres podes buscar a caixa ou aproximar-te.Ah não, está aqui um encostadinho.

00:12

O que é isto?Ah, parecia tipo um...Parecia um lagarto, mas não é... é a capa. O que é isto?

00:24

É do Star Wars?Ah, mas falta-lhe a pistola.Já não tem pistola. Coitadinha.

00:29

É pacífico.É pacífico.Mulher e líder.O dobro do esforço?

00:38

Pergunta.

00:44

Eu não sei se é o dobro, mas que está um esforço associado está.

00:48

Eu acho que nós, enquanto mulheres, temos muitas coisas a nosso favor, mas também acho que muitas vezes temos trabalhos redobrados por sermos mulheres.

01:02

Sabes que o pior...Acho que o pior... Como é que se diz?

01:07

Não é elogio é o contrário? É o pior...Crítica? A pior crítica.

01:13

A pior coisa que alguma vez alguém me disse foi quando eu concorri a uma posição contra um colega meu do sexo masculino e eu ganhei, fiquei com a posição e ele disse-me, em vez de dizer parabéns, olha espero que sejas bem-sucedida, ele disse-me "Só conseguiste a função porque és mulher".

01:35

Eu acho que isto foi a pior coisa que alguém alguma vez me disse.

01:39

Porque nós, enquanto mulheres, fazemos questão de que, quando nos aplicamos a uma posição, preenchemos todos os requisitos.

01:49

Nós queremos ter sempre a certeza que sabemos exatamente aquilo a que vamos, que temos exatamente as competências que são necessárias, que temos exemplos para demonstrar que chegámos e alcançámos as competências que eram necessárias.

02:05

E ouvir alguém dizer-nos que só conseguimos a posição porque somos mulheres, é quase como deitar ao lixo tudo aquilo que nós conquistámos, os anos de trabalho, os anos de dedicação, os anos a desenvolver tudo para nada.

02:22

Eu acho isso muito difícil.Outra coisa também muito difícil para as mulheres é que muitas de nós queremos ser mães e quando somos mães ficamos seis meses, um ano, dependendo do país onde nós estamos, de licença de maternidade.

02:40

E os nossos pares do sexo masculino muitas vezes continuam a trabalhar ou têm uma semana de licença de paternidade.

02:48

E então, de alguma maneira, nós ficamos seis meses ausentes, por boas razões, não estou a dizer que não, são muito boas razões, adoro a minha filha, faria tudo de novo, mas ficamos ausentes do mundo corporativo durante um período de tempo que, de alguma maneira, nos retém ou nos atrasa na nossa progressão.

03:08

Portanto, quando nós decidimos ser mães, tem que ser um pensamento muitas vezes em colaboração não só com os nossos maridos, com as nossas caras metades, mas também com a empresa, de perceber qual é o melhor momento na carreira onde nós estamos para conseguir ter uma decisão destas, para estarmos ausentes durante seis meses ou mais.

03:31

Que de alguma maneira não nos impacte tanto se for coordenado com a empresa.

03:35

Eu acho que o ideal, na realidade, para benefício da criança, para benefício da mãe e do pai, seria que a licença de maternidade e a licença de paternidade fossem iguais.

03:45

Que eu acho que ia beneficiar muito a criança, ia beneficiar o pai, ia beneficiar a mãe e nós também, as mulheres, porque de alguma maneira íamos ter mais ajuda e em termos de progressão da carreira também ia ser muito idêntico.

03:59

Eu, quando decidi ser mãe, tive a sorte de conseguir colaborar com a Microsoft para encontrar um momento perfeito, um momento em que eu estava pronta para um novo desafio, pronta para sair do Brasil para ir para um novo desafio profissional e,portanto, tive seis meses fora depois de ter cumprido tudo aquilo que eu me tinha proposto no Brasil e enquanto estive fora foi o momento perfeito para depois procurar um novo desafio na minha carreira e então começar no regresso numa nova função, num novo país e continuar a desenvolver as minhas competências.

04:34

Mas eu concordo que, sendo mulher, nós temos muitas vezes que provar mais, temos muitas vezes que nos dedicar mais, porque ainda ainda há muitos lugares onde temos que provar muito antes de conseguirmos um lugar à mesa.