Ir para o conteúdo
Clareza financeira

Como fazer um orçamento de tesouraria: guia completo

·
5 minutos de leitura
Precisa de ajuda para gerenciar as despesas?
Envie documentos em massa, solicite assinaturas digitais e guarde toda a informação da sua empresa de forma segura. Saber mais
Escrito por

Um orçamento de tesouraria é uma ferramenta de planeamento que permite prever todas as entradas e saídas de dinheiro de uma empresa ao longo de um determinado período. 

É, no fundo, uma espécie de mapa que ajuda a perceber, com alguma antecedência, se a empresa vai ter liquidez suficiente para cumprir as suas obrigações: desde pagar salários até liquidar fornecedores ou impostos.

Tabela de Conteúdos

  1. Na prática, para que serve um orçamento de tesouraria?
  2. Como fazer um orçamento de tesouraria passo a passo?
  3. Exemplo de um orçamento de tesouraria
  4. Dicas para melhorar a gestão de tesouraria

Na prática, para que serve um orçamento de tesouraria?

Um orçamento de tesouraria serve, acima de tudo, para dar previsibilidade. Saber com alguma antecedência quando é que o dinheiro entra e sai permite evitar decisões em cima do joelho.

Um dos usos mais evidentes é antecipar falhas de liquidez. Imagine que há um pico de despesas num determinado mês, devido a pagamento de subsídios, impostos ou fornecedores, mas as entradas só acontecem semanas depois. Com um orçamento de tesouraria há margem para ajustar: negociar prazos, adiar investimentos ou preparar-se.

Um orçamento de tesouraria bem construído ajuda ainda a perceber se há espaço para avançar com contratações, investir em tecnologia ou expandir operações, ou se faz mais sentido esperar. 

Como fazer um orçamento de tesouraria passo a passo

1. Identificar todas as entradas de caixa

O primeiro passo é perceber de onde vem o dinheiro. Aqui entram todas as fontes de receita: de vendas a clientes, a recebimentos em atraso, financiamentos, eventuais apoios ou subsídios.

O importante é não olhar apenas para o “valor faturado”, mas sim para o momento em que o dinheiro entra efetivamente.

2. Mapear todas as saídas de caixa

Depois das entradas, é altura de olhar para as saídas, como custos com fornecedores, rendas, serviços, impostos e tudo o que está ligado aos recursos humanos: salários, subsídios, contribuições, benefícios.

Há uma tendência natural para subestimar ou esquecer despesas mais irregulares. Mas, quanto mais completo for este levantamento, mais fiável será o resultado.

3. Definir o período do orçamento

Nem todos os orçamentos de tesouraria são iguais. Há quem trabalhe com previsões mensais, outros preferem uma visão trimestral, e há ainda empresas que optam por um orçamento anual de tesouraria.

A escolha depende muito da dimensão e da dinâmica do negócio. Em contextos mais voláteis, faz sentido acompanhar de forma mais frequente. Em estruturas mais estáveis, um horizonte mais alargado pode ser suficiente (com as devidas revisões regulares).

4. Construir o mapa de tesouraria

Com entradas e saídas identificadas, chega o momento de organizar a informação. Normalmente, o orçamento de tesouraria segue esta lógica:

  • Saldo inicial.
  • Entradas previstas.
  • Saídas previstas.
  • Saldo final.

5. Analisar, ajustar e rever regularmente

Para fazer uso de um orçamento de tesouraria é importante perceber que este não é um processo estático: as condições mudam, os clientes atrasam pagamentos, surgem despesas inesperadas. Por tudo isto é importante revê-lo com frequência.

Exemplo de um orçamento de tesouraria

Imagine uma pequena empresa de serviços, com cerca de 10 colaboradores. Para simplificar, vamos trabalhar com um horizonte mensal. O primeiro passo é definir o saldo inicial de caixa: vamos imaginar que no início do mês a empresa tem 5.000 euros disponíveis.

Em seguida, identificam-se as entradas de caixa previstas:

  • Recebimentos de clientes: 15.000 euros.
  • Financiamento bancário: 2.000 euros.
  • Outros (ex.: subsídios ou apoios): 500 euros.

Total de entradas: 17.500 euros.

Agora, olhamos para as saídas de caixa:

  • Salários e contribuições de recursos humanos: 8.000 euros.
  • Fornecedores e serviços: 6.000 euros.
  • Impostos e taxas: 2.000 euros.
  • Outras despesas (manutenção, marketing, etc.): 1.000 euros.

Total de saídas: 17.000 euros.

Com estes números, é possível calcular o saldo final:

Saldo inicial + entradas – saídas = 5.000 + 17.500 – 17.000 = 5.500 euros.

O que nos diz este orçamento de tesouraria? Que, para aquele mês, a empresa terá uma folga de 500 euros relativamente ao saldo inicial. É um sinal de que, pelo menos nesse período, não há risco imediato de falta de liquidez. Mas, claro, se surgirem despesas imprevistas ou atrasos nos pagamentos, a situação pode mudar rapidamente.

Este exercício revela várias coisas importantes:

  1. Permite antecipar e planear pagamentos, incluindo salários e encargos de recursos humanos.
  2. Ajuda a perceber quando é possível investir, contratar ou adiar decisões financeiras.
  3. Mostra, de forma concreta, onde podem surgir riscos para o fluxo de caixa.

Orçamento de tesouraria em Excel

O Excel tem sido a ferramenta de eleição para construir um orçamento de tesouraria: é acessível, flexível e, para muitas empresas, já faz parte da rotina. Mas será que o Excel continua a ser suficiente à medida que a empresa cresce e ganha complexidade?

Vantagens do orçamento de tesouraria em Excel

Começando pelo lado positivo, há motivos claros para o Excel continuar tão presente. Desde logo, é uma ferramenta relativamente simples de usar. Mesmo sem conhecimentos técnicos avançados, é possível montar um orçamento de tesouraria funcional que inclua entradas, saídas e saldos.

Além disso, o Excel é flexível e permite adaptar o modelo à realidade específica de cada empresa. Na maioria dos casos, já faz parte das ferramentas disponíveis, o que significa que não há investimento adicional imediato.

Limitações do orçamento de tesouraria em Excel

À medida que o negócio cresce, o Excel começa a mostrar algumas fragilidades. A primeira é o risco de erro manual. Entre fórmulas mal aplicadas ou células alteradas sem querer, basta um pequeno deslize para comprometer toda a fiabilidade do orçamento de tesouraria. 

Manter ficheiros Excel atualizados, especialmente quando há várias pessoas envolvidas, pode tornar-se um processo moroso e pouco eficiente. Além de tudo isto, o Excel tende a funcionar de forma isolada, não estando ligado automaticamente a ferramentas de faturação, despesas ou recursos humanos.

Dicas para melhorar a gestão de tesouraria

Uma das primeiras dicas é acompanhar o orçamento de tesouraria com regularidade: semanalmente, se possível, ou pelo menos uma vez por mês. 

Além disso, é crucial uma boa gestão dos prazos de pagamento e recebimento. Sempre que possível, faz sentido negociar prazos mais alargados com fornecedores e, ao mesmo tempo, incentivar pagamentos mais rápidos por parte dos clientes.

Também vale a pena criar alguma margem de segurança. Nem tudo corre como planeado, por isso ter uma “almofada” financeira pode evitar decisões precipitadas em momentos mais apertados.

Deve ainda acompanhar de perto os custos fixos, especialmente aqueles ligados aos recursos humanos, como salários, benefícios ou encargos. Ter uma visão clara e atualizada destes custos ajuda a tomar decisões mais sustentadas.

Por fim, a escolha das ferramentas também pesa. Continuar a trabalhar com informação dispersa ou desatualizada torna a gestão mais difícil do que precisa de ser. Soluções como a Factorial permitem:

  • Centralização de informação relevante.
  • Maior controlo sobre os custos de recursos humanos (desde salários, subsídios, benefícios, encargos sociais).
  • Rápida atualização de dados e melhor colaboração entre equipas (evitando desencontros e versões diferentes de dados).
  • Mais eficiência no dia a dia.

Quer ver e perceber como funciona a plataforma da Factorial? Clique aqui!

 

Perguntas Frequentes sobre Tesouraria

Um orçamento de tesouraria é uma ferramenta de planeamento financeiro que permite prever as entradas e saídas de dinheiro de uma empresa num determinado período, ajudando a garantir liquidez para cumprir obrigações.

Serve para antecipar necessidades de caixa, evitar falhas de liquidez e apoiar decisões como contratar, investir ou adiar despesas.

Para fazer um orçamento de tesouraria deve:

- Identificar todas as entradas de caixa
- Mapear todas as saídas
- Definir o período (mensal, trimestral ou anual)
- Organizar o mapa de tesouraria
- Rever e ajustar regularmente

O orçamento de tesouraria foca-se no fluxo de caixa (entradas e saídas reais de dinheiro), enquanto o orçamento financeiro inclui previsões mais amplas como receitas, custos e resultados.

O Excel pode ser útil numa fase inicial, mas à medida que a empresa cresce, pode gerar erros manuais, falta de atualização e dificuldade de colaboração entre equipas.

Idealmente, deve ser atualizado semanalmente ou mensalmente, dependendo da complexidade e volatilidade do negócio.

Deve incluir saldo inicial, entradas previstas, saídas previstas e saldo final, garantindo uma visão clara da liquidez da empresa.

Através de um orçamento de tesouraria atualizado, controlo de prazos de pagamento e recebimento, e criação de uma margem de segurança financeira.

Sou copywriter para uma das principais plataformas de streaming a nível mundial, além de escritora de conteúdos experiente, tradutora, especialista em SEO e em localização para várias marcas internacionais. Tenho um mestrado em Estudos Literários, Culturais e Interartes e, no campo da escrita, fui distinguida com uma bolsa para desenvolver um romance, bem como com o prémio Aveiro Jovem Criador, atribuído a um conto. Ao longo dos últimos anos as minhas funções variaram entre o copywriting e a gestão de comunicação e conteúdos, primeiro numa agência de marketing, depois numa start-up e, mais recentemente, como freelancer. Gosto de pegar em temas complexos e torná-los claros, acessíveis e relevantes para quem lê.