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Gestão de Talentos

Monitorizar as formações obrigatórias em Portugal

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8 minutos de leitura
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No mercado de trabalho em Portugal, garantir que a sua empresa cumpre todas as obrigações legais relacionadas com as formações obrigatórias é essencial.

Não apenas para evitar penalizações, mas também para promover a segurança, o bem-estar e a produtividade dos colaboradores. Contudo, muitas organizações enfrentam desafios quando tentam monitorizar e acompanhar formações de forma eficaz.

O que são as formações obrigatórias em Portugal?

As formações obrigatórias são aquelas exigidas pela legislação portuguesa para garantir que os trabalhadores possuam os conhecimentos e as competências necessárias para desempenhar as suas funções em condições de segurança e com eficácia.

Estas formações variam de acordo com o setor de atividade, o tipo de trabalho realizado e as especificidades da empresa. A formação profissional contínua está no centro destas exigências legais, promovendo o desenvolvimento sustentado dos colaboradores e da própria empresa.

Legislação Relevante

No Código do Trabalho, o artigo 131.º (Lei n.º 7/2009, de 12 de fevereiro) estipula que as empresas são obrigadas a garantir um mínimo de 40 horas anuais de formação por trabalhador. Esta formação deve estar relacionada com as funções desempenhadas ou com o desenvolvimento de competências. Nos contratos a termo com duração igual ou superior a três meses, o número de horas é proporcional à duração do contrato nesse ano.

Consequências do incumprimento

O não cumprimento das obrigações de formação constitui contraordenação grave ao abrigo do artigo 554.º do Código do Trabalho. A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) pode inspecionar sem aviso prévio e aplicar coimas que variam entre 612 € (microempresa) e 9690 € (grande empresa) por cada trabalhador afetado.

Além das sanções financeiras, as empresas infratoras podem ser excluídas de apoios públicos, fundos comunitários e programas de incentivo ao emprego. Se o contrato de trabalho cessar sem que o trabalhador tenha beneficiado das horas a que tinha direito, a empresa fica obrigada a pagar a retribuição correspondente às horas em falta.

Crédito de horas e apoios disponíveis

Quando o empregador não assegura as formações obrigatórias dentro do prazo legal, as horas não realizadas convertem-se em crédito de formação, que o trabalhador pode utilizar por iniciativa própria nos dois anos seguintes, mediante comunicação escrita ao empregador com uma antecedência mínima de 10 dias.

Para apoiar as empresas no cumprimento desta obrigação, o IEFP disponibiliza programas de Formação Contínua para Empregados, financiados no âmbito do Regulamento Específico 2026. Existem ainda incentivos fiscais: os custos com formação profissional são dedutíveis em sede de IRC e podem beneficiar de majoração ao abrigo do Estatuto dos Benefícios Fiscais.

Quais são as principais formações obrigatórias em Portugal?

gestão de documentos e informações

As exigências variam conforme o setor de atividade e as particularidades do trabalho, sendo essencial consultar os regulamentos setoriais, as portarias e os acordos coletivos aplicáveis. Existem, no entanto, algumas formações que são comuns em vários setores, sendo frequentemente obrigatórias ou recomendadas, tais como:

1. Segurança e Saúde no Trabalho (SST)

A formação em SST é uma das mais importantes e abrange temas como:

  • Prevenção de acidentes de trabalho.
  • Normas de segurança no manuseamento de equipamentos.
  • Identificação de riscos no local de trabalho.

2. Formações específicas por setor

  • Manuseamento de alimentos: para empresas no setor alimentar, a formação em Higiene e Segurança Alimentar é indispensável.
  • Transporte de mercadorias perigosas: necessária para condutores de veículos que transportam materiais perigosos.
  • Formação Pedagógica Inicial de Formadores (FPIF): para profissionais que desejam ministrar formações certificadas.

Formação em Prevenção e Combate a Incêndio

As empresas devem dispor de pessoal treinado para atuar em caso de incêndio e para prevenir a sua ocorrência, em conformidade com a legislação de segurança contra incêndios em edifícios (SCIE). Esta formação é particularmente exigida em estabelecimentos com maior concentração de pessoas ou materiais inflamáveis.

3. Primeiros socorros

A formação em primeiros socorros é necessária para lidar com situações de emergência, sendo exigida especialmente em ambientes de risco elevado.

4. Formações de atualização profissional

Para algumas profissões regulamentadas (como advogados, contabilistas e técnicos superiores de segurança), a formação contínua é essencial para manter a certificação profissional.

O Relatório Único e o registo de formações

Todas as empresas com trabalhadores por conta de outrem são obrigadas a reportar anualmente os dados de formação profissional no Relatório Único (Anexo C:  Relatório da Formação Profissional Contínua), entregue à ACT. A não entrega, a entrega fora do prazo ou o preenchimento com dados incorretos constitui contraordenação grave. Manter registos precisos e centralizados das formações obrigatórias realizadas é, por isso, indispensável para cumprir esta obrigação de reporte.

Como monitorizar as formações obrigatórias na sua empresa?

Manter um registo organizado das formações obrigatórias é um desafio para muitas empresas. No entanto, a adoção de boas práticas e ferramentas digitais pode facilitar o processo.

Identifique as necessidades de formação na empresa

Antes de criar um plano eficaz de gestão de formações, é essencial identificar as necessidades específicas de cada colaborador, considerando fatores como a experiência e a função desempenhada. Ç

As necessidades de formação variam entre novos colaboradores, que podem precisar de formação em soft skills ou relacionadas com o uso de novas ferramentas, e funcionários mais experientes, que podem necessitar de capacitação para novas funções ou atualização de competências específicas. Além disso, áreas como a gestão de pessoas e o trabalho em equipa também devem ser contempladas.

Defina um plano de formação anual

Com as necessidades de formação identificadas, é fundamental elaborar um plano de formação anual que cubra todas as exigências para cada cargo. O plano deve:

  • Incluir formações obrigatórias e opcionais.
  • Estar alinhado com os objetivos da empresa.
  • Prever atualizações regulares conforme as mudanças legislativas. Por exemplo, a proposta de redução das horas mínimas para microempresas (menos de 10 trabalhadores) está em negociação na Concertação Social, mas o quadro legal em vigor continua a ser o das 40 horas anuais.

Utilize um Software de Recursos Humanos

Plataformas como a Factorial ajudam a monitorizar formações obrigatórias de forma automática, mantendo todos os registos centralizados e acessíveis. Isso inclui os dados necessários para o preenchimento do Anexo C do Relatório Único. De acordo com a SHRM, as empresas que investem em programas estruturados de desenvolvimento reduzem as lacunas de competências, melhoram a retenção e aceleram a inovação.

  • Agendamento de formações.
  • Definição de planos de desenvolvimento individual, de modo a adaptar o planeamento da formação às necessidades específicas dos colaboradores.
  • Criação de alertas para prazos de validade de certificados.
  • Registo de horas de formação cumpridas por colaborador.
  • Relatórios personalizados para auditorias.

Centralize os registos

Organize todos os certificados, as listas de presença e os planos de formação num só local. Desta forma, estará preparado para inspeções ou auditorias.

Implemente alertas e notificações

Use ferramentas de calendário ou softwares de RH para criar alertas automáticos – quer se trate de notificações, e-mails ou mensagens, que lembrem os prazos de renovação de certificados ou as formações obrigatórias pendentes.

Garanta a conformidade com o plano de formação anual

A legislação portuguesa obriga as empresas a elaborar um plano de formação anual ou plurianual, acessível aos trabalhadores e aos seus representantes. Este plano deve identificar as necessidades de formação, as áreas a cobrir e o calendário previsto. A obrigação de assegurar formação contínua a pelo menos 10% dos trabalhadores da empresa em cada ano é igualmente um requisito legal a contemplar no plano.

A Factorial permite criar e gerir este plano de forma centralizada, gerando automaticamente os relatórios necessários para as auditorias da ACT e para o preenchimento do Relatório Único.

Quais os benefícios de monitorizar as formações obrigatórias com eficácia?

Benefício social de formação

A monitorização adequada das formações obrigatórias traz várias vantagens para a sua empresa:

  • Cumprimento legal: evita multas e penalizações por não conformidade.
  • Segurança aumentada: reduz acidentes e promove um ambiente de trabalho seguro.
  • Produtividade: colaboradores bem formados realizam as tarefas de forma mais eficiente. Segundo dados da Gallup citados pela SHRM, duplicar as oportunidades de aprendizagem pode gerar um aumento de 14% na produtividade e de 18% no lucro.
  • Melhoria da reputação: as empresas que investem em formação são vistas como mais sólidas e responsáveis.

Em 2026, as ações de formação promovidas pelo IEFP abrangeram 620.100 pessoas em Portugal, um crescimento de quase 24% face ao ano anterior, de acordo com o Centro de Relações Laborais. Este dado reflete uma tendência crescente de investimento em formação contínua, que as empresas com processos de monitorização eficazes estão mais bem posicionadas para aproveitar.

Como acompanhar a formação de colaboradores de forma eficaz

Além de monitorizar, acompanhar a formação é essencial para garantir a sua eficácia e o seu impacto. Aqui ficam algumas dicas:

Solicite feedback contínuo

Solicite feedback aos colaboradores sobre as formações realizadas. Pergunte:

  • A formação foi relevante para o desempenho das suas funções?
  • Os conteúdos apresentados são aplicáveis no dia a dia?

Avalie os resultados

Implemente mecanismos para avaliar os resultados das formações. Isto pode incluir testes de conhecimento, observação prática ou relatórios de desempenho. Desta forma, poderá identificar áreas que precisam de reforço ou de ajustes no conteúdo da formação.

Envolva os diretores de equipa

Encoraje os diretores de equipa a acompanhar de perto a aplicação prática das competências adquiridas durante as formações. O seu envolvimento garante que os conhecimentos transmitidos são efetivamente implementados no dia a dia.

Reveja periodicamente o plano de formação

As necessidades de formação mudam ao longo do tempo, especialmente com a introdução de novas tecnologias ou com mudanças no enquadramento legal. Reveja regularmente o plano de formação para garantir que continua alinhado com os objetivos da empresa e com as obrigações legais.

Quais as métricas essenciais para monitorizar as formações obrigatórias com eficácia?

Acompanhar a eficácia das formações obrigatórias exige a análise de indicadores-chave que permitem avaliar o desempenho e ajustar os programas:

  • Percentagem de conclusão: indica quantos colaboradores completaram o curso. Taxas baixas podem sinalizar desafios como conteúdos extensos, baixa motivação ou dificuldades de acesso.
  • Taxa de aprovação: avalia se os colaboradores compreendem o conteúdo. Altas taxas de reprovação podem indicar materiais complexos ou métodos pedagógicos ineficazes.
  • Retenção de conhecimento: mede a quantidade de informações aprendidas que é lembrada e aplicada. Esta métrica é geralmente avaliada através de testes e permite identificar lacunas e pontos que requerem melhorias.
  • Satisfação dos participantes: mede o nível de envolvimento e de motivação dos colaboradores, indicando tanto os aspetos que melhor funcionaram na formação como as frentes que exigem melhorias.
  • Retorno sobre o investimento (ROI): avalia o impacto financeiro da formação em relação ao custo, considerando melhorias na produtividade e a redução de erros.

Estas métricas ajudam a maximizar a qualidade das formações e alinham os resultados com as necessidades das empresas e dos colaboradores.

Simplifique o planeamento das formações obrigatórias com a Factorial

A Factorial oferece uma solução completa para ajudar as empresas a cumprir as suas obrigações de formação. Com funcionalidades como a integração de dados em tempo real, a personalização de planos de formação, a geração automática do Anexo C do Relatório Único e relatórios detalhados para as auditorias da ACT, as empresas conseguem gerir de forma proativa e estratégica as competências dos colaboradores.

Cumprir as formações obrigatórias em Portugal não é apenas uma exigência legal, mas também uma oportunidade para fortalecer a sua equipa e aumentar a competitividade da sua empresa. Ao investir em ferramentas para monitorizar e acompanhar formações, como softwares de RH, e ao adotar boas práticas na gestão de registos e avaliações, a sua organização estará mais preparada para enfrentar os desafios do mercado.

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Perguntas Frequentes sobre Formações obrigatórias em Portugal

Em Portugal, a lei exige um mínimo de 40 horas de formação anual por colaborador. As formações obrigatórias variam, mas geralmente incluem Segurança e Saúde no Trabalho (SST), primeiros socorros e outras específicas do setor de atividade, como o manuseamento de alimentos ou de mercadorias perigosas.

Sim. A frequência nas formações obrigatórias fornecidas pela empresa é um dever do colaborador. Estas são essenciais para o desempenho seguro e eficaz das suas funções e o tempo despendido é considerado como tempo de trabalho efetivo.

Sim. O tempo que um colaborador passa em formação profissional obrigatória, promovida pela empresa, é considerado tempo de trabalho efetivo. Como tal, deve ser remunerado como parte do seu horário normal de trabalho.

O incumprimento da obrigação de proporcionar as 40 horas anuais de formação por colaborador constitui uma contraordenação grave. As empresas podem enfrentar coimas e outras penalizações aplicadas pela Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).

Todas as empresas, independentemente da sua dimensão ou setor de atividade, são legalmente obrigadas a garantir a segurança e a saúde dos seus colaboradores. Isto inclui a avaliação de riscos, a implementação de medidas de prevenção e a disponibilização de formação adequada.

Sou copywriter para uma das principais plataformas de streaming a nível mundial, além de escritora de conteúdos experiente, tradutora, especialista em SEO e em localização para várias marcas internacionais. Tenho um mestrado em Estudos Literários, Culturais e Interartes e, no campo da escrita, fui distinguida com uma bolsa para desenvolver um romance, bem como com o prémio Aveiro Jovem Criador, atribuído a um conto. Ao longo dos últimos anos as minhas funções variaram entre o copywriting e a gestão de comunicação e conteúdos, primeiro numa agência de marketing, depois numa start-up e, mais recentemente, como freelancer. Gosto de pegar em temas complexos e torná-los claros, acessíveis e relevantes para quem lê.