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Gestão de Talentos

Licença sem vencimento: o que é e como funciona

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5 minutos de leitura
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Diferente de uma demissão, um despedimento ou uma ausência pontual, uma licença sem vencimento consiste numa pausa formal na relação laboral. Por outras palavras, a licença sem vencimento corresponde a um período em que o contrato de trabalho fica suspenso por acordo entre trabalhador e entidade empregadora, deixando de existir obrigação de prestar trabalho e, consequentemente, de pagar salário.

Leia o artigo até ao fim para ficar por dentro do que consta no código de trabalho acerca da licença sem vencimento, como funciona a sua aplicação prática, o que é uma licença de vencimento de longa duração e as especificidades da licença sem vencimento numa empresa privada.

Tabela de Conteúdos

  1. Licença sem vencimento: os básicos
  2. Licença sem vencimento: como funciona na prática
  3. Licença sem vencimento de longa duração
  4. Licença sem vencimento e Segurança Social
  5. Boas práticas para departamentos de Recursos Humanos na gestão da licença sem vencimento

Licença sem vencimento: os básicos

A principal diferença entre suspensão e cessação de contrato de trabalho é que no caso da primeira, aquando do fim do período acordado, o trabalhador tem direito a regressar à empresa, retomando a sua atividade. Apesar de o trabalhador não exercer funções nem receber remuneração, o vínculo contratual mantém-se ativo.

Em que situações costuma ser pedida?

Embora o Código do Trabalho preveja algumas situações específicas, a verdade é que a licença sem vencimento é frequentemente utilizada em contextos bastante diversos.

Por exemplo:

  • Realização de formação académica.
  • Experiência profissional no estrangeiro.
  • Projetos pessoais ou familiares.
  • Acompanhamento de familiares.
  • Ano sabático.
  • Mudança temporária de residência.

O que significa “sem vencimento”?

Durante o período de licença sem vencimento:

  • Não há pagamento de salário.
  • Não há subsídio de alimentação.
  • Não há subsídios de férias ou de Natal proporcionais ao período suspenso.
  • Regra geral, não existem descontos para a Segurança Social por parte da empresa.

A licença sem vencimento é um direito?

O enquadramento da licença sem vencimento no código do trabalho distingue diferentes cenários. Existem situações específicas em que o trabalhador pode invocar esse direito (por exemplo, para frequência de cursos de formação) desde que cumpridos determinados requisitos.

No entanto, na maioria dos casos, a concessão da licença depende de acordo entre trabalhador e empregador. A empresa pode aceitar ou recusar, desde que tenha fundamentos razoáveis para tal.

O vínculo mantém-se a 100%?

Apesar de o contrato não cessar, durante a licença sem vencimento o trabalhador continua sujeito a certos deveres, nomeadamente o dever de lealdade. Não poderá, por exemplo, desenvolver atividade concorrente que prejudique a empresa, salvo se houver acordo explícito nesse sentido.

Por outro lado, a empresa também não pode simplesmente preencher o posto de trabalho de forma definitiva, ignorando o direito de regresso do colaborador. A substituição, quando existe, deve ter caráter temporário.

Licença sem vencimento: como funciona na prática?

Como pedir licença sem vencimento

O pedido deve ser formal e idealmente feito por escrito.

O trabalhador deve:

  • Apresentar um pedido formal à entidade empregadora.
  • Indicar o motivo (ainda que, legalmente, nem sempre seja obrigatório detalhá-lo em profundidade).
  • Definir o período pretendido de início e fim.
  • Entregar o pedido com uma antecedência mínima de 90 dias.

A empresa pode recusar a licença sem vencimento?

Na maioria das situações, a licença sem vencimento depende de acordo entre as partes. Ou seja, a empresa pode recusar o pedido, desde que tenha fundamentos legítimos para o fazer, que podem incluir:

  • Impacto grave no funcionamento da empresa.
  • Impossibilidade de substituição.
  • Falta de antiguidade mínima exigida por lei.

O regresso ao trabalho é automático?

Terminado o período acordado, o trabalhador tem direito a regressar à empresa. Mas a forma como esse regresso acontece pode variar.

Em teoria, o colaborador deve retomar as suas funções nas condições previamente existentes. Na prática, podem ter ocorrido alterações organizacionais durante a sua ausência, por isso o regresso deve ser preparado com antecedência

E se houver necessidade de prolongar a licença?

A chamada licença sem vencimento de longa duração ou a prorrogação de uma licença inicialmente curta deve ser novamente objeto de acordo.

Caso o trabalhador pretenda prolongar o período, deverá apresentar um novo pedido antes do termo da licença inicial. A empresa por sua vez poderá aceitar ou recusar, à luz das circunstâncias do momento.

Licença sem vencimento numa empresa privada: existe diferença face ao setor público?

Sim, existem diferenças.

Na função pública, as regras tendem a estar mais detalhadas e uniformizadas, incluindo por exemplo situações de acompanhamento do cônjuge colocado no estrangeiro ou exercício de funções em organismos internacionais. Já na empresa privada, o enquadramento é essencialmente o que resulta do Código do Trabalho. 

Licença sem vencimento de longa duração

O que é considerada licença sem vencimento de longa duração?

A lei portuguesa não estabelece um número de meses a partir do qual a licença passa a ser considerada de longa duração. 

Na prática, começa a falar-se em longa duração quando o período ultrapassa seis meses, um ano ou mais. Importa recordar que:

  • Não há acumulação de férias durante o período suspenso.
  • Não existem descontos automáticos para a Segurança Social por parte da empresa.
  • Benefícios associados à atividade efetiva podem ficar suspensos.

Licença sem vencimento e Segurança Social

Há descontos para a Segurança Social durante a licença sem vencimento?

Regra geral, não.

Durante a licença sem vencimento, não existindo pagamento de remuneração, também não existem descontos obrigatórios para a Segurança Social por parte da entidade empregadora nem do trabalhador.

É possível fazer contribuições voluntárias?

Sim, é possível.

O trabalhador pode optar por efetuar contribuições voluntárias junto da Segurança Social, de modo a evitar lacunas na carreira contributiva. Esta opção permite manter proteção social em determinadas situações.

Impacto na reforma

Períodos sem contribuições podem reduzir o número total de anos considerados para cálculo da pensão ou influenciar o valor final. Por isso, antes de avançar com uma licença sem vencimento, é prudente avaliar o número de anos já registados, simular o impacto de uma interrupção e considerar a possibilidade de contribuições voluntárias.

Boas práticas para departamentos de Recursos Humanos na gestão da licença sem vencimento

1. Formalização clara e inequívoca

A licença sem vencimento deve ser formalizada através de um acordo que inclua as datas de início e fim, condições a colocar em prática durante a suspensão, regras relativas a possíveis atividades paralelas e os termos do regresso.

2. Avaliação do impacto operacional antes da aprovação

Antes de aprovar o pedido, é aconselhável que os departamentos de recursos humanos em articulação com a chefia avaliem a possibilidade de redistribuição de tarefas, a necessidade de contratação temporária e o impacto nos projetos em curso. 

3. Comunicação transparente com o colaborador

Os departamentos de recursos humanos devem esclarecer de forma objetiva que não existem descontos automáticos para a Segurança Social e que determinados benefícios podem ficar suspensos.

4. Atualização correta dos sistemas internos

Com uma plataforma integrada como a Factorial, estas alterações podem ser automatizadas. Ao marcar o contrato como suspenso no sistema:

  • O processamento salarial ajusta-se automaticamente.
  • O histórico de ausências é atualizado.
  • A documentação relevante permanece centralizada.
  • É possível programar alertas para o fim da licença.

5. Planeamento estruturado do regresso

É recomendável que exista uma confirmação formal da data de regresso a par de uma reunião de alinhamento com a chefia. Deve estruturar-se uma forma de comunicar possíveis alterações dentro da organização e delinear um plano de reintegração.

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Sou copywriter para uma das principais plataformas de streaming a nível mundial, além de escritora de conteúdos experiente, tradutora, especialista em SEO e em localização para várias marcas internacionais. Tenho um mestrado em Estudos Literários, Culturais e Interartes e, no campo da escrita, fui distinguida com uma bolsa para desenvolver um romance, bem como com o prémio Aveiro Jovem Criador, atribuído a um conto. Ao longo dos últimos anos as minhas funções variaram entre o copywriting e a gestão de comunicação e conteúdos, primeiro numa agência de marketing, depois numa start-up e, mais recentemente, como freelancer. Gosto de pegar em temas complexos e torná-los claros, acessíveis e relevantes para quem lê.